Rezar diante da gruta de Belém

Apresentamos alguns pontos de meditação sobre o Natal para rezar com Bento XVI e São Josemaria. "Maria envolveu o menino em panos. Sentimentalismos aparte, podemos imaginar o amor com que Maria aguardou a sua hora e terá preparado o nascimento do seu filho".

Textos para orar
Opus Dei - Rezar diante da gruta de Belém

Maria colocou o menino recém-nascido numa manjedoura (Lc 2, 7). A partir de estas e de outras palavras semelhantes da Sagrada Escritura, os cristãos foram representando de diversas maneiras o nascimento de Jesus. As representações do presépio ajudam a viver de uma forma mais próxima este acontecimento.

Rezar com o Papa:

Maria envolveu o menino em panos. Sentimentalismos à parte, podemos imaginar o amor com que Maria aguardara a sua hora e terá preparado o nascimento do seu Filho. A tradição dos ícones, com base na teologia dos Padres, interpretou teologicamente também a manjedoura e as faixas. O menino rigorosamente envolvido com faixas aparece como uma alusão antecipada à hora da sua morte: Jesus é desde o início o Imolado (…). Por isso a manjedoura era representada como uma espécie de altar (Bento XVI, A infância de Jesus).

Hoje, quem entra na igreja da Natividade de Jesus em Belém dá-se conta de que o portal de outrora com cinco metros e meio de altura, por onde entravam no edifício os imperadores e os califas, foi em grande parte tapado, tendo ficado apenas uma entrada com metro e meio de altura. Provavelmente isso foi feito com a intenção de proteger melhor a igreja contra eventuais assaltos, mas sobretudo para evitar que se entrasse a cavalo na casa de Deus. Quem deseja entrar no lugar do nascimento de Jesus deve inclinar-se.

Deus faz-se Menino inerme para vencer a soberba, a violência e a ambição de posse do homem

Parece-me que nisto se encerra uma verdade mais profunda, pela qual nos queremos deixar tocar nesta noite santa: se quisermos encontrar Deus manifestado como menino, então devemos descer do cavalo da nossa razão «iluminada». Devemos depor as nossas falsas certezas, a nossa soberba intelectual, que nos impede de perceber a proximidade de Deus. Devemos inclinar-nos, caminhar espiritualmente por assim dizer a pé, para podermos entrar pelo portal da fé e encontrar o Deus que é diverso dos nossos preconceitos e das nossas opiniões: o Deus que Se esconde na humildade dum menino acabado de nascer (Bento XVI, Homilia na Missa da meia-noite, 24 de dezembro de 2011)

Naquele Menino manifesta-se Deus-Amor: Deus vem sem armas, sem a força, porque não pretende conquistar, por assim dizer, de fora, ao contrário, deseja ser acolhido pelo homem em liberdade; Deus faz-se Menino inerme para vencer a soberba, a violência e a ambição de posse do homem. Em Jesus, Deus assumiu esta condição pobre e desarmante para nos vencer com o amor e nos guiar à nossa verdadeira identidade (Bento XVI, Audiência Geral de quarta-feira, 23 de dezembro de 2009)

Rezar com São Josemaria:

Ao falar diante do Presépio, sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em paninhos, sobre a palha de uma mangedoura; e, enquanto ainda é Menino e não diz nada, vê-lo já como Doutor, como Mestre. Preciso considerá-lo assim, porque tenho que aprender dEle. E, para aprender dEle, é necessário conhecer a sua vida: ler o Santo Evangelho, meditar no sentido divino do caminhar terreno de Jesus (É Cristo que passa, n. 14).

Deus chamou-nos clara e inequivocamente. Tal como os Reis Magos, descobrimos uma estrela que é luz, rumo certo no céu da nossa alma.

Deus chamou-nos clara e inequivocamente. Como os Reis Magos, descobrimos uma estrela - que é luz e rumo - no céu da nossa alma. Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.Foi o que aconteceu conosco. Nós também percebemos que pouco a pouco se acendia na alma um novo resplendor: o desejo de sermos plenamente cristãos; se assim me posso exprimir, a ânsia de tomarmos Deus a sério. Se cada um de nós se pusesse agora a contar em voz alta o processo íntimo da sua vocação sobrenatural, os outros perceberiam que tudo isso era divino (É Cristo que passa, n. 32)

O Natal também está rodeado de uma simplicidade admirável: o Senhor vem sem estrondo, desconhecido de todos. Na terra, só Maria e José participam da divina aventura. Depois, os pastores, avisados pelos Anjos. E, mais tarde, os sábios do Oriente. Assim se realiza o fato transcendente que une o céu à terra, Deus ao homem! (É Cristo que passa, n. 18).

Chega-te a Belém, aproxima-te do Menino, embala-O, diz-Lhe um monte de coisas ardentes, aperta-O contra o coração...

Chega-te a Belém, aproxima-te do Menino, embala-O, diz-Lhe um monte de coisas ardentes, aperta-O contra o coração...
- Não falo de criancices: falo de amor! E o amor manifesta-se com fatos: na intimidade da tua alma, bem O podes abraçar! (Forja, n. 345)

Instado por essa pergunta, eu também contemplo agora Jesus reclinado numa manjedoura, num lugar próprio para animais. Onde está, Senhor, a tua realeza: o diadema, a espada, o cetro? Pertencem-lhe, e Ele não os quer; reina envolto em panos. É um Rei inerme, que se apresenta indefeso; é uma criança. Como não havemos de recordar aquelas palavras do Apóstolo: Aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo ? (É Cristo que passa, 31)