As pessoas que rezam são otimistas

Juhani Holma, um pastor luterano na Finlândia relata a sua experiência pastoral com os jovens do seu país, como o livro “Caminho” lhe ajuda.

Testemunhos
Opus Dei - As pessoas que rezam são otimistas

O pastor luterano finlandês Juhani Holma relata sua experiência com os jovens:

«Dou graças a Deus por estes anos que passei em Tornio, porque houve muitos frutos de vida cristã, especialmente entre os jovens, com os quais me dou bem bem, talvez pelo meu temperamento, minha paixão pelos esportes, ou porque nos meus quase sessenta anos ainda me considero jovem. Em Tornio começamos por ler a Bíblia juntos, e depois fizemos uma coisa muito finlandesa: criamos uma Associação, Os cinco pães.

Não é fácil ser um jovem cristão no século XXI; seguir Cristo supõe um esforço diário de viver contra a corrente. Quando se preparam para a confirmação procuro fazê-los rezar e pensar, porque muitos tendem, quase por instinto, a evitar o encontro consigo mesmo. Há tanto ruído dentro e fora das suas vidas que fica muito difícil refletir. É como se o silêncio os assustasse: assim que podem, põem os fones de ouvido para fugir da realidade.

»Eu os animo a rezar, a meditar a palavra de Deus, a participar nos atos de culto da religião a que pertençam, a procurar a unidade dos cristãos e a ajudar aos mais necessitados. São cinco aspectos decisivos, e por isso decidimos chamar nossa Associação Os cinco pães. Nosso logo é uma mão vermelha unida a uma mão branca, para lembrar que ainda que nossos pecados sejam vermelhos como as cochonilhas, Deus pode nos deixar limpos como a neve.

»Falamos tanto das diferenças entre os cristãos que corremos o risco de esquecer de tudo o que temos em comum: a Sagrada Escritura, a vida da graça e das virtudes, a comunidade de orações e uma união misteriosa no Espírito Santo que atua em todos nós – protestantes, católicos, ortodoxos, etc. – até o ponto der dar-nos forças para dar a vida por Deus.

»Quando falo com os jovens procuro escutá-los, dando-lhes confiança para que possam contar-me o que quiserem. Não começo pregando: tento primeiro ganhar sua amizade, conhecê-los, saber o que os preocupa e com o que sonham. Precisamos dedicar tempo, muito tempo, para poder ajudá-los, um a um. Geralmente digo que a vida pode ser vivida de dois modos: solitária ou junto a Cristo... mesmo que na verdade nunca estejamos sozinhos, porque Ele não nos abandona nunca.

»Alguns dizem: “Os jovens finlandeses não se importam com Deus; é uma geração perdida”. Minha experiência diária me mostra o contrário: se rezamos por eles e lhes damos afeto, compreensão (e paciência!) muitos se aproximam de Deus, porque tem sede dEle... Às vezes, depois da preparação para a Confirmação são abandonados à própria sorte. “Não voltam!” alguns se queixam. Pois se não vem, temos de procurá-los onde estiverem, digo eu, para acompanhá-los, através de uma amizade sincera ao longo da sua vida.

»“Como pode ser tão otimista?” perguntam. Sou otimista porque sou cristão, porque faço parte do time vencedor. Os cristãos não temos outro remédio do que ser cristãos: Deus joga conosco, nos dois sentidos da expressão. Além disso, quando alguém reza, torna-se otimista. O pessimismo geralmente é fruto da falta de oração.

»O batismo – comento geralmente – não é uma lata de conservas: não tem prazo de validade. E repito, entre outros, os ensinamentos de São Josemaria, um santo católico que conheço bem. Santi me apresentou Caminho na primavera de 2004 e, desde então, os livros de São Josemaria me ajudam nas palestras que dou. Para muitos foi um descobrimento saber que o trabalho pode ser transformado em oração. Escrivá dá umas orientações muito práticas, que ajudam a viver os ensinamentos da Bíblia na nossa existência cotidiana de forma alegre e cheia de esperança».