Com os braços abertos a todos. A visita de São Josemaria Escrivá ao Brasil

1974. São Josemaria Escrivá esteve 15 dias no Brasil. Que mensagem deixou aos brasileiros? Qual foi a sua impressão sobre o país? Este artigo inédito descreve como foram organizados os encontros com o fundador do Opus Dei em São Paulo, e resume a sua mensagem.

Bibliografia e ensaios
Opus Dei - Com os braços abertos a todos. A visita de São Josemaria Escrivá ao Brasil

Studia et Documenta é uma publicação anual do Istituto Storico San Josemaría Escrivá dedicada à história do Opus Dei e de seu Fundador. O tema monográfico da décima primeira edição, que ocupa a primeira parte do volume, são as viagens de São Josemaria Escrivá à América Latina entre os anos 1974-1975. Oferecemos a seguir o Artigo de Alexandre Antosz sobre a visita de São Josemaria ao Brasil (Studia et Documenta vol.11, pg 65-99, 2017).

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INTRODUÇÃO. A VIAGEM AO BRASIL

Este artigo trata do conteúdo da mensagem de São Josemaria Escrivá no Brasil, particularmente do que transmitiu nos dois encontros gerais, nos dias 1o e 2 de junho de 1974, oferecendo, na medida das possibilidades, informações sobre as circunstâncias desses eventos. O estudo pretende contribuir para aprofundar o conhecimento de sua catequese na América e ser um estímulo para futuros trabalhos, que possam explorar o abundante material existente sobre essa viagem. Em 2007 foi publicado um primeiro texto sobre o tema[1]; mas não se trata de um relato histórico, apenas de alguns traços da santidade cristã presentes na vida do fundador do Opus Dei, tomando como exemplo, principalmente, seus dias no Brasil, como o próprio autor adverte[2]. Embora as atuais biografias sejam muito parcas em informações sobre a estadia de São Josemaria no Brasil[3], não faltam documentos que possibilitam um conhecimento detalhado desta viagem[4]. O presente trabalho está apoiado na transcrição fiel das tertúlias[5], nos diários escritos durante a estadia de São Josemaria, entre os dias 22 de maio e 7 de junho de 1974[6], além dos testemunhos de algumas pessoas que presenciaram os acontecimentos[7]. Todos esses documentos se conservam nas sedes da Comissão Regional e da Assessoria Regional[8] do Opus Dei no Brasil, em São Paulo. Também tem em conta que as duas tertúlias, como quase todas as suas palavras no Brasil, foram registradas e parcialmente reproduzidas em Catequesis en América.

O avião que trouxe São Josemaria à América, o DC-8 da Ibéria, procedente de Madri com escala nas Ilhas Canárias, aterrissou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, às 18h18 do dia 22 de maio de 1974[9]. Aguardavam-no o conselheiro regional, pe. Francisco Javier de Ayala Delgado (1922- 1994)[10], conhecido em Portugal e no Brasil como dr. Xavier de Ayala, Emérico da Gama (1931-2014) e Alfredo Canteli. O Brasil foi o primeiro país que visitou na sua viagem pela América do Sul, na qual pretendia realizar uma autêntica catequese[11]. Acompanhavam-no o beato Álvaro del Portillo (1914- 1994), o pe. Javier Echevarría (1932-2016)[12] e Alejandro Cantero, médico. Enquanto estes últimos, ajudados por Alfredo Canteli, pegavam as bagagens, mons. Escrivá encaminhou-se com os outros para o Bandeirantes, um avião menor de 15 lugares que os levaria a São Paulo[13].

O Brasil vivia um acelerado desenvolvimento econômico e, apesar da ditadura política imposta pelos militares desde 1964, os cidadãos comuns gozavam de uma relativa tranquilidade. A ditadura brasileira não era de cunho pessoal: os presidentes alternaram-se, sempre escolhidos de dentro das Forças Armadas. Não faltaram alguns acontecimentos violentos de repressão aos movimentos de oposição e restrições às liberdades civis. Contudo, o governo alcançava êxitos na área econômica. Em 1968 e 1969, o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescera respectivamente 11,2% e 10%, começando o que foi chamado de “milagre econômico”, que atingiu o seu pico em 1973, quando o PIB teve uma variação de 13%. Apesar das condições externas terem mudado muito com a crise internacional do petróleo iniciada em outubro de 1973, no ano seguinte, quando São Josemaria Escrivá chegou, o país ainda vivia a euforia com os resultados satisfatórios na economia. Não podemos desdenhar ainda a alegria que permanecia pela terceira conquista da Copa do Mundo pela seleção brasileira de futebol, em 1970, da qual o governo soube tirar proveito para sua propaganda nacionalista[14].

O general Ernesto Geisel (1907-1996), presidente empossado em março de 1974, desejava realizar uma abertura política lenta e gradual. A oposição política, na qual havia também grupos favoráveis à luta armada, estava abrandada pela dura repressão, que crescera gradativamente até este período. Contudo, manifestações de vários grupos sociais como os estudantes, os trabalhadores das fábricas, as associações profissionais, etc., vieram à tona com novos ímpetos no governo Geisel. Também a Igreja no Brasil procurou sair em defesa das liberdades civis, e alguns membros da hierarquia se defrontaram com o governo, que procurava estabelecer um diálogo. Foi através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), juntamente com outros grupos, que o governo negociou o modo de encaminhar a restauração das liberdades públicas em 1978[15]. Esta situação, porém, facilitou que uma parte considerável do clero se politizasse, e se propagassem em seu meio as teses da Teologia da Libertação[16].

É relevante também citar a profunda e rápida transformação demográfica que o Brasil estava vivendo. Na década de 1940, as mulheres brasileiras apresentavam uma taxa de fecundidade de 6,3 filhos; caiu para 5,8 na década de 1960. A partir dos anos 70 a taxa de fecundidade reduziu-se drasticamente e, na primeira década de 1980, foi para 3,3. Além disso, o país tornava-se muito mais urbano: em 1940 apenas 16% da população morava nas cidades, enquanto que em 1980 eram 51,5%. O crescimento populacional também era acelerado: o Brasil passou de 52 milhões de habitantes em 1940 para 146 milhões em 1990. Além disso, havia um grande deslocamento migratório entre 1950 e 1970, do Nordeste do país para o Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o que se percebia particularmente na cidade de São Paulo, que se tornou a maior cidade do país, com uma população que já ultrapassava os 6 milhões de habitantes[17]. Junto a todos esses fatores que levavam a um crescimento econômico acelerado nas cidades, notava-se o início de uma decadência na vida moral e religiosa da sociedade[18], o que se pode intuir em algumas das perguntas formuladas a mons. Escrivá, como teremos ocasião de notar mais adiante.

Os primeiros fiéis que vieram começar o trabalho apostólico no Brasil chegaram em março de 1957, e instalaram-se na cidade de Marília[19]. Contudo, depois de poucos anos, mudaram-se definitivamente para São Paulo, onde se concentrava quase todo o trabalho apostólico em maio de 1974. Ver o fundador no país era um sonho antigo dos membros do Opus Dei no Brasil, especialmente do dr. Xavier de Ayala, que constantemente manifestava este desejo em suas viagens a Roma, pois pensava que seria uma forma de fortalecer o trabalho apostólico no país[20]. Sabemos que por volta de março de 1974 a possibilidade de repetir a correria catequética de 1972 por terras americanas ia ganhando força, e o desejo explícito de São Josemaria de viajar é atestado por uma carta ao cardeal da Guatemala Mario Casariego y Acevedo (1909-1983) de 25 de março[21]. Contudo, no outro lado do Atlântico, essa possibilidade tornou-se mais real quando um grupo que voltava de um encontro de estudantes universitários em Roma[22], em abril de 1974, comentou que teriam feito ali algumas perguntas sobre o Brasil, como, por exemplo, a temperatura no mês de maio[23]. Então, foram vários os telefonemas e contatos com Roma e Espanha, e alguns dias depois puderam ter a certeza da sua vinda e, passado mais um tempo, souberam da data precisa[24]. Para todos os membros do Opus Dei que moravam no Brasil era realmente um sonho que estava a ponto de se realizar.

AS TERTÚLIAS GERAIS

Os locais

São Josemaria permaneceu na cidade de São Paulo durante toda a sua estadia, de 22 de maio até o dia 7 de junho, quando tomou o avião para a Argentina, a próxima etapa da sua catequese. Nesses dias, teve mais de trinta encontros ou tertúlias, como o fundador do Opus Dei gostava de chamar estas reuniões, destinadas a diferentes grupos de pessoas, em um número mais ou menos reduzido. Falava sempre em castelhano, e conseguiu fazer- se entender sem dificuldades, como veremos mais adiante. Dois encontros foram especiais, por estarem destinados a um grupo mais numeroso, todas as pessoas interessadas, em locais públicos: foram, por isso, chamados de “tertúlias gerais”. A primeira, no dia 1o de junho, sábado, às 10h30 teve lugar no Salão de Convenções do Parque Anhembi[25], e, no dia seguinte, às 11h houve a segunda no Auditório do Palácio Mauá[26], como passaremos a descrever.

Desde o momento em que começaram os preparativos para uma provável estadia de mons. Escrivá no país, em meados de abril de 1974, já se previu ao menos um encontro ao qual pudessem comparecer todas as pessoas que participavam dos meios de formação do Opus Dei, seus familiares e amigos. A preocupação dos diretores da Comissão Regional, em conjunto com a Assessoria Regional, era que as pessoas da Obra pudessem estar, pelo menos, mais de uma vez com o fundador [27]. Por isso se pensou nestes encontros gerais, aos quais todos pudessem assistir, além de outros já programados nos centros das mulheres ou dos homens.

Entretanto, os diretores da Comissão Regional do Brasil não sabiam exatamente quanto tempo São Josemaria ficaria no país, nem se seria possível a desejada “tertúlia geral”. Por isso, não se havia realizado nenhuma diligência mais concreta com relação aos possíveis encontros gerais[28]. Tinham elaborado diversos cronogramas, para quatro a oito dias, aproximadamente. Para a grata surpresa de todos, ao chegar, o pe. Javier Echevarría disse que estariam o tempo que fosse necessário, o que foi corroborado pelo pe. Álvaro del Portillo. O diário do centro manifesta o entusiasmo com a notícia: «Enquanto o Padre [J. Escrivá[29]] estava na sala de jantar para estar com a Administração, lá fora D. Javier nos dava a segunda maior alegria quando nos disse: “o Padre vem sem pressa, não quer dizer que vá embora na próxima semana. Ficará o tempo que for necessário”. Estabeleceu-se um clima de alegria incontida e de agradecimento ao Senhor. Mais tarde, D. Álvaro comentaria também que o Padre estaria todo o tempo que fosse preciso»[30].

Com esta informação, os diretores da Comissão Regional se reuniram e repensaram o plano da estadia de mons. Escrivá, e foi então que se incluíram os dois encontros gerais. O plano estendeu-se, portanto, para 15 dias[31], como ficou relatado: «Depois de o Padre se ter recolhido, e à vista da boa notícia de que sua estadia entre nós seria mais prolongada do que a princípio pensávamos, decidimos arquivar o plano de sugestões que tínhamos e fazer outro no dia seguinte»[32]. Na manhã do dia 24 de maio tiveram a certeza que o plano tinha sido aprovado pelos dois custodes[33]. O pe. Xavier de Ayala, ao entrar no quarto preparado para mons. Escrivá na hora em que rezaria o breviário, após celebrar a Missa e tomar o café da manhã, «viu que D. Álvaro estava examinando, diante do Padre, o plano com as sugestões de tertúlias, etc., que tinha sido reelaborado na noite anterior. O Padre não quis examiná -lo com detalhe, dando a entender que estava disposto a fazer, durante esses dias, o que achássemos mais conveniente»[34].

A partir de então, começaram as diligências a fim de confirmar e alugar os locais dos encontros, a cargo principalmente de Alfredo Canteli e Emérico da Gama. Não foi tarefa fácil, dado o pouco tempo que tinham, encontrar um local satisfatório, onde coubesse um grande número de pessoas. Depois de visitar uma dezena de lugares diferentes, fixaram-se no Palácio de Con- venções do Anhembi, que tinha um único horário disponível no sábado, dia 1o de junho. O local era espaçoso, com capacidade para 4.000 pessoas, rela- tivamente novo, sede de importantes eventos na cidade. Havia certo receio a respeito da capacidade de convocatória para encher este espaço, mas, ao final, decidiram por este lugar, pensando que seria melhor pecar por excesso que por defeito[35]. Conseguiram conversar com a responsável pelo Anhembi, a deputada estadual Conceição da Costa Neves (1908-1989), e com o seu aval puderam fechar o contrato do aluguel em regime de urgência[36].

Nos planos refeitos durante a estadia de São Josemaria, pensaram que uma tertúlia geral poderia ser insuficiente e quiseram oferecer uma alternativa para os que não pudessem ir ao Anhembi, como os que viriam de outras cidades[37]. O Palácio Mauá, uma sala bem menor, foi reservado para o domingo, dia 2 de junho. Não houve maiores dificuldades para conseguir o local. Ele estava sem uso há muito tempo, e foi necessário limpar e arranjar melhor para que houvesse um ambiente acolhedor e familiar. Algumas mulheres da Obra assumiram este encargo, que não passou oculto aos olhos do fundador. Contrataram também uma empresa, que alugou 500 cadeiras[38]. Contando com as que já existiam, a capacidade não ultrapassava mil e quinhentas pessoas. Ao princípio pensava-se que não seria possível chegar a um número tão grande de assistentes nas duas tertúlias[39], apesar de que, depois, o afluxo de gente superou as expectativas.

Os dois locais estavam já acertados no dia 27, segunda-feira, como o diário atesta: «Concretizaram-se já dois auditórios grandes para as tertúlias gerais previstas para os dias 1 e 2: o salão de convenções do Anhembi e o auditório do Palácio Mauá»[40]. A partir de então, todos os dias o diário do centro do Sumaré faz referências aos preparativos. No dia 29, quarta-feira, escreveram: «Depois de o Padre se ter recolhido, trabalhamos na organização das tertúlias gerais, que já estavam definidas e para as quais faltavam poucos dias»[41]. Um dia antes da tertúlia, na sexta-feira, dia 31, São Josemaria saiu à tarde, por volta das 15 h, quando passeou pelo Instituto Butantã[42] e depois foi ao Centro Social e Assistencial do Taboão, uma escola de formação para mães, na época especializada em artesanato, corte e costura, nascida por iniciativa das mulheres do Opus Dei. Então, diz o diário, «a movimentação dos que tínhamos ficado no Sumaré, e de muitos outros, era intensíssima, preparando as tertúlias gerais de amanhã e depois de amanhã»[43].

O filme, os vídeos e outros preparativos

Entre outras providências, algumas pessoas se encarregaram, na ocasião, da possível gravação em filme de celuloide, 35 milímetros. São Josemaria, em princípio, não queria que se filmassem as tertúlias e, anteriormente, a Região do Brasil já havia sido avisada de que não viria a equipe profissional da Espanha, que já se encarregara de registrar outras tertúlias[44]. Contudo, os membros da Obra no Brasil esperavam que, sendo uma ocasião tão importante, o fundador mudasse de ideia e permitisse que se fizesse a gravação. Haviam manifestado este desejo ao pe. Álvaro del Portillo, mas a resposta ia se atrasando. Então, na sexta-feira, 30 de maio, antes de uma tertúlia, ao dirigir-se para receber uma família na sala de estar do Centro de Estudos[45], Del Portillo perguntou-lhe a respeito. O texto do diário reflete muito bem o fato: «Antes de entrar, perguntamos a D. Álvaro se podíamos confirmar a filmagem em cores da tertúlia que haveria amanhã no Anhembi. D. Álvaro aproximou-se do Padre [J. Escrivá] e perguntou-lhe, dizendo que não havia mais tempo para confirmar isso, pois a tertúlia seria amanhã. O Padre, então, para grande alegria de todos, disse: “−¡Que hagan lo que quieran!”»[46]. No centro da Casa Nova, intuíram bem a dificuldade, e anotou-se no diário que São Josemaria, por humildade, estaria se resistindo a que façam esses filmes e não deveria ter sido fácil conseguir que cedesse desta vez[47].

Naquela época, a tecnologia dos registros de imagens e vídeos era bem diferente da existente hoje. Os registros em vídeo tape, mais simples e que poderiam ser feitos por pessoas sem uma preparação específica, já eram realizados habitualmente em reuniões com o fundador. Para isso, havia sido formada uma equipe de pessoas do Opus Dei e amigos dirigida por Francisco Baptista Burgos, integraram esta equipe Décio Piva, José Antônio Macedo e Benedito Montenegro[48]. Antes da chegada de mons. Escrivá eles foram até a TV Tupi, Canal 4, de São Paulo e encontraram um cinegrafista que se dispôs a ajudar, chamado Shiroo Hamada. Além disso, compraram uma câmera de vídeo e um gravador, conseguiram mais uma câmera emprestada, além de uma mesa de corte. A gravação era em preto e branco[49]. Esta equipe – algumas vezes com a ajuda do Shiroo Hamada e outras não – registrou todas as tertúlias com São Josemaria, incluindo as duas gerais. No Palácio Mauá a equipe estava completa, Hamada levou mais dois câmeras e talvez algum técnico mais que cuidaram de tudo. Já no Anhembi houve ainda outro tipo de filmagem, além da realizada por esta equipe.

A gravação em vídeo não era a mais propícia para a reprodução para um público numeroso, pois só era possível assistir através do aparelho no qual foi registrado. Tratava-se de utilizar outra tecnologia, mais profissional, que permitisse uma maior facilidade de reprodução, ou seja, a gravação em filme de celuloide, 35 milímetros. Por isso, em previsão de uma resposta afirmativa de São Josemaria, fora contatado um profissional alguns dias antes para fazer a filmagem do encontro no Anhembi. Tratava-se de um cinegrafista italiano, radicado no Brasil, chamado Domenico Pennacchia. Depois de explicar o trabalho que deveria fazer, discutir o seu custo, foi levado até o Centro de Estudos do Sumaré para que assistisse à gravação de um encontro similar, para que ele entendesse melhor a peculiaridade do evento. Não se tratava de um documentário ou filme, como estava mais habituado a fazer[50], e advertiram que registrasse, completamente e de forma contínua, as palavras de São Josemaria e as eventuais perguntas. Pennacchia assistiu a uma das tertúlias celebradas no ginásio do clube esportivo Brafa, em Barcelona no final de 1972[51], que então eram as únicas gravações disponíveis na região do Brasil, chegadas em abril ou maio daquele mesmo ano.

A filmagem da tertúlia do Anhembi foi feita com duas câmeras fixas e uma móvel, esta especialmente pensada para registrar as intervenções do público[52]. No final do encontro, faltou filme em uma das câmeras, o que foi notado pelo pe. Javier Echevarría, que comentou com alguma pessoa da Obra depois da tertúlia. Além disso, algumas partes se perderam na revelação e uma parte não se filmou na máquina profissional, apenas nas outras, de vídeo de que se encarregavam as pessoas da Obra[53]. Por isso, a gravação em filme 35 milímetros não ficou totalmente completa.

Posteriormente, tiveram que montar o filme, com o que tinha sido registrado em cada câmera e sincronizar o som, que era gravado à parte. Alugou-se um local para esta montagem, onde só era possível fazê-la a partir das 11 da noite. Domenico Pennacchia trabalhava com a ajuda de José Maria Córdoba e Alfredo Canteli. Ao final, o profissional contratado ficou orgulhosíssimo do filme e apaixonado pela figura do fundador do Opus Dei. Dizia: «este homem tem claquete»[54]. Referia-se ao seu gesto de bater as mãos algumas vezes, o que ajudava muito a sincronizar o som, e sua capacidade de captar a atenção das pessoas que o assistiam. Certo dia, passado já um bom tempo depois da gravação, chamou Alfredo Canteli e pediu para ver o filme outra vez. Contudo, o custo do filme e da sua montagem ficou bastante elevado, e foi o que motivou o pe. Álvaro del Portillo perguntar ao fundador se não seria melhor pedir que viessem uma equipe da Espanha, que trabalhavam profissionalmente nisto, para as futuras gravações, e ele acedeu[55].

Além do filme desse profissional, os diretores da Comissão Regional quiseram que se gravasse a tertúlia do Anhembi também em vídeo tape, com a equipe dirigida por Francisco Baptista Burgos. Mons. Escrivá acabou assistindo a este vídeo, que tinha sido, naquela época, uma proeza. Os promotores do vídeo, orgulhosos com o feito, não se atrevendo a propor-lhe isso, para não magoar a sua humildade, pediram ajuda ao pe. Álvaro del Portillo, que conseguiu convencer o fundador depois de dar um argumento de peso. Narrou assim o pe. Francisco Faus: «Após reiteradas negativas, o pe. Álvaro falou-lhe da alegria que nos proporcionaria se aceitasse assistir ao vídeo, pois nós achávamos que ficara muito bom e até estávamos orgulhosos da gravação. Como era para não deixar frustrados os seus filhos, muito a contragosto aceitou. E a sessão teve lugar no dia seis de junho, véspera da partida, pela manhã»[56].

Havia muitas outras providências a serem tomadas nos dias prévios aos encontros. Em primeiro lugar, avisar a tempo os locais, dias e horários dos encontros a todos os membros do Opus Dei, cooperadores e amigos. Estes, por sua vez, convidaram todos os seus conhecidos, com o desejo que ninguém perdesse a oportunidade de estar com o fundador. Foram feitos convites impressos, como uma forma de ter certo controle sobre as pessoas que entravam nos auditórios. Diante do afluxo de tanta gente, não havia garantias do ambiente familiar que se esperava e organizou-se um grupo de homens e outro de mulheres para coordenar a entrada. No Anhembi, a administração do local encarregou-se de fazer uns cartazes para orientar o acesso dos participantes[57].

Algumas supernumerárias e cooperadoras se encarregaram de decorar o palco, colocar alguns móveis e uma imagem de Nossa Senhora nos dois locais, a fim de dar um aspecto familiar, como são as tertúlias nos centros do Opus Dei. O auditório do Palácio Mauá exigiu um trabalho extra de limpeza e acondicionamento pois, como já foi dito, fazia tempo que o local não era utilizado. O mesmo grupo que cuidou do palco preparou também uma pequena salinha para que o fundador pudesse descansar uns minutos antes do início do encontro e, eventualmente, receber algumas pessoas[58]. De fato, ele deteve-se um momento na sala decorada na noite anterior, como contou o pe. Xavier de Ayala, o que provocou um comentário elogioso[59].

Avisou-se também a todos aqueles que quisessem fazer perguntas e falar com mons. Escrivá, para que se dirigissem aos lugares mais apropriados, onde o microfone estivesse disponível, junto a uma luz que identificasse o interpelante. Foi necessário também selecionar previamente as pessoas que se dirigiriam a mons. Escrivá, para que houvesse maior diversidade[60]. Especialmente no Palácio de Convenções do Parque Anhembi, onde havia bastante distância entre o palco e o público e para que fosse possível a gravação, algumas pessoas quiseram ensaiar as perguntas, para medir o tom de voz e a clareza nas palavras. Falariam em português e teriam que se expressar o melhor possível, facilitando a compreensão de São Josemaria[61]. Assim que começou a falar, porém, sua empatia com o público dissipou os receios e formalidades, e não faltaram pessoas que intervieram espontaneamente, como foi o caso de uma senhora que o interpelou a respeito de uma suposta separação que o Opus Dei poderia gerar na família.

Não somente os encarregados das distintas tarefas trabalhavam, mas também São Josemaria preparava-se para este momento. Um encontro tão numeroso, em um país de língua diferente da sua, não deixava de ser um evento especial. «Todos estávamos com grande expectativa, porque ama- nhã seria a primeira tertúlia geral. O Padre [J. Escrivá] pediu que rezássemos, recorrendo aos Anjos da Guarda, para que nessa tertúlia não dissesse nenhuma coisa que pudesse magoar e que conseguisse manifestar todo o seu carinho. Oferecemos especialmente o trabalho dessa noite – telefonemas, convites... – pelos frutos da tertúlia[62]».

O desenrolar dos eventos

No dia 1o de junho, sábado de manhã, vários membros da Obra estavam no Anhembi já por volta das 8 horas, para receber as pessoas, pois muitos chegaram ao local com bastante antecedência, e para cuidar de todos os últimos detalhes dos aspectos técnicos e logísticos[63]. «O palco, enorme, estava instalado como uma sala de estar, com muitíssimas flores [...] e ficou muito agradável. [...] Estava um dia maravilhoso, com um céu azul limpo, o típico dos bons dias de inverno em que o vento leva para longe a poluição. O auditório ia engolindo rios de gente – famílias inteiras, grupos de amigos, gente de todas as idades, raças e condições... – até acomodar umas 4.000 pessoas»[64].

«O Padre [J. Escrivá] saiu de casa às 10h15 e entrou no Anhembi pela entrada que fica no lado de trás do Palácio de Convenções. Lá estavam alguns à sua espera, para acompanha-lo como “seguranças” até uma sala contígua ao palco. No percurso até lá, já se tinha situado um bom número de pessoas, que iriam ficar no palco – na “sala de estar” da tertúlia [...] – junto ao Padre»[65]. Ao chegar, mons. Escrivá acomodou-se em uma sala preparada para isso, à espera do horário programado para começar, estava «muito bem humorado, brincando com os que lhe tiravam fotografias e acalmando-nos com o seu sorriso. Quando entrou no auditório, foi recebido com um aplauso cerrado, que se prolongou por um bom tempo. Eram 10h30 horas»[66].

O encontro desenrolou-se muito bem, 16 pessoas puderam dirigir-se a São Josemaria, como analisaremos mais adiante. Ao terminar a tertúlia, a alegria e a emoção de todos era visível. As pessoas saíam sem pressa, cumprimentavam-se e reuniam-se para comentar o que acabavam de ouvir. Narra o diário da Casa Nova: «Quando terminou a tertúlia, ficamos um bom tempo nos jardins que rodeiam o Palácio das Convenções, com nossas amigas. Famílias inteiras desde os avós aos netos, todos iam fazendo pequenos grupos comentando com animação sobre este maravilhoso encontro com o nosso Padre»[67]. Particularmente, os organizadores estavam assombrados com a multidão que «se tinha reunido à volta do Padre. Lembrávamo-nos então da natural apreensão de uns dias antes, quando contemplávamos o gigantesco local vazio. Foi maravilhoso ver como os espaços se tinham tornado pequenos para escutar o Padre»[68]. São Josemaria estava igualmente contente ao voltar ao Sumaré: pela sintonia das pessoas, o calor humano e, também, por perceber que a barreira linguística fora ultrapassada com facilidade. Inclusive, na espera do almoço, sugeriu que trouxessem algum refrigerante, como se quisesse celebrar aquele evento maravilhoso[69].

No dia seguinte, domingo de Pentecostes, já vencidas as apreensões da primeira tertúlia geral, os preparativos imediatos se desenvolveram de forma similar. O afluxo de gente, mais uma vez, superou as expectativas. Conta o diário da sede da Comissão, que acontecera o mesmo que no dia anterior: desde cedo começavam a chegar pessoas ao edifício Mauá, em um número muito acima do esperado. Desde as seis horas da manhã, os organizadores colocaram mais quinhentas cadeiras, além das próprias do auditório, ajeitando-as mais próxima do palco, tentando assim criar um ambiente mais familiar[70]. O local, muito menor que o Anhembi, tinha sido pensado para os que não tinham podido ir neste primeiro encontro, mas foram outras tantas pessoas que desejavam estar com mons. Escrivá mais esta vez[71].

Mons. Josemaria Escrivá saiu do Sumaré às 10h30 em direção ao Palácio Mauá. Sendo o dia da Solenidade de Pentecostes, logo após o café, São Josemaria escrevera uma ficha com estas palavras: «Ure igne Sancti Spiritus! Pentecostes, Sancti Pauli, 1974. Mariano» e deu-a ao pe. Xavier de Ayala. «No carro, referiu-se ao sacerdócio real dos fiéis, recordando as palavras da Primeira Epístola de São Pedro. Era um tema que, neste dia, o Padre teria bem presente na alma e nos ajudaria a meditar»[72]. Por isso, nas suas primeiras palavras da tertúlia, mons. Escrivá relacionou diretamente o evento de Pentecostes com a grande variedade de raças que convivem em harmonia no Brasil[73]. O «clima vibrante, ardente, apostólico, da festa de Pentecostes foi o tempo todo o pano de fundo da mesma. [...] Foi vivíssima, intensa, enormemente cálida. [...] Quando o Padre entrou no auditório, a alegre expectativa transformou-se num instante de silêncio emocionado, que explodiu logo a seguir num mar de aplausos. No momento em que subiu ao palco, uma menininha que ia levada pela mão da avó, entregou ao Padre uma orquídea. O Padre deu-lhe uma carinhoso abraço e a abençoou»[74].

A tertúlia beneficiou-se do clima de confiança criado no dia anterior. Desta vez, 17 pessoas fizeram perguntas a mons. Escrivá e, ao final, a alegria de todos era grande. Já na sede da Comissão, comentaram muito a respeito da tertúlia, dando graças a Deus pelos seus frutos. O fundador também estava comovido, pois tinha sido uma tertúlia realmente calorosa. Contudo, de forma natural, em um momento de descontração, enquanto alguns observavam as araras que então ficavam no jardim da casa, contou que naquela noite não havia dormido. «Não conto para que se compadeçam de mim», fazia a ressalva com toda naturalidade[75]. O pe. Francisco Faus testemunhou a respeito, manifestando que ele e outros que fazia tempo conheciam São Josemaria ficaram assombrados por aquele comentário pois nunca o tinham visto tão bem disposto, cheio de entusiasmo contagiante, tão ágil e rápido de pensamento e de palavra como nesse dia de Pentecostes[76]. Completa o autor dizendo que a maioria dos que estavam lá sentiram e comentaram a mesma coisa[77].

O diálogo com São Josemaria

Mediados por um intervalo de apenas 24 horas, os dois encontros tiveram um grande paralelismo: foram 16 perguntas no Anhembi, e 17 no Palácio Mauá. Podemos analisar o diálogo e a mensagem destas tertúlias conjuntamente, como se fossem um mesmo encontro, com um grande intervalo. As intervenções do público, bem como as respostas de São Josemaria seguiram um mesmo estilo direto, familiar, ainda que, surpreendentemente, não ocorreram repetições de perguntas. As pessoas que se dirigiram a mons. Escrivá nos dois encontros gerais eram de perfis bem distintos: desde uma mãe de família a um empresário, uma empregada doméstica, juízes, professores, etc... Embora não deixe de ser interessante dar notícias destas pessoas, isso ultrapassaria muito o alcance do presente artigo.

São Josemaria Escrivá fez, em cada uma das tertúlias, um brevíssimo prólogo, com simpatia, incentivando a que lhe perguntassem, que cada um falasse do que tivesse no coração. «Não vim ao Brasil ensinar nada»[78], disse ao iniciar seu encontro no sábado. No dia seguinte, no Palácio Mauá, a mesma coisa: «Estamos reunidos para falar das grandezas de Deus; não do que eu queira, mas do que interessa a vocês»[79]. De fato, era patente o seu “agradecimento” ao final dos dois encontros, como relatam os que estiveram ao seu lado. Após o encontro no Anhembi, relata o diário da Comissão que «um grande grupo acompanhou-o até o carro, e o Padre [J. Escrivá] ia repetindo, também dentro do automóvel, muito comovido: − “Dios os bendiga! ¡Dios os bendiga!”»[80].

Foram as intervenções do público que deram a pauta daquela conversa, muito natural e familiar, de uma intimidade quase inexplicável para um público desconhecido, numeroso, que falava outro idioma e em um local nada propício a este tipo de diálogo. Muitas das perguntas abordaram temas pessoais, em tom confidencial. Ao contrário de deixar o interpelado constrangido, levavam-no a responder também pessoalmente, de uma forma paternal e carinhosa. Muitas vezes, mons. Escrivá brincava com o interlocutor dizendo que ninguém mais os estava escutando, convidando-o a abrir- se, a fazer a sua confidência. Na primeira intervenção no Palácio Mauá, quando a mulher que perguntava dava claras mostras de nervosismo, ele animava: «Estamos em família, como se estivéssemos você e eu sozinhos, com Nosso Senhor que nos escuta e o Espírito Santo que habita na sua alma e na minha»[81].

Das 33 perguntas respondidas pelo fundador nas duas tertúlias, 12 trataram do tema da família. Destas, 4 foram sobre a educação das crianças na família, 3 sobre o relacionamento entre marido e mulher, e 4 sobre a relação entre pais e filhos já adultos, sendo que três destas abordaram o tema da vocação dos parentes próximos. Uma pessoa perguntou sobre o valor do trabalho das pessoas que se dedicam profissionalmente às lides domésticas. Entendemos porque o diário do centro da Casa Nova afirma categoricamente: «O tema central desta tertúlia esteve especialmente relacionado com a família»[82]. Veremos mais adiante, porém, que a vida familiar serviu apenas como pano de fundo para os distintos temas abordados por São Josemaria. Outras 11 abordam a caridade e o apostolado, tocando em distintos problemas do relacionamento humano ou pedindo orientações para que se pudesse esclarecer equívocos morais ou doutrinais. Quatro perguntas entraram em temas relacionados com a luta ascética: como estar alegre nas contrariedades, ou como cumprir os propósitos ou fazer as coisas mesmo quando não se tem vontade. Três perguntas foram sobre vida de oração, e apenas uma pergunta tratou diretamente sobre o Opus Dei, quando pediram-lhe que fizesse um resumo do espírito da instituição, ainda que outras perguntas exigiram-lhe um esclarecimento sobre o modo de viver e fazer apostolado próprios do Opus Dei.

As quatro perguntas restantes que não se encaixaram nos temas citados abordaram os cinquenta anos de sacerdócio que celebraria dentro de alguns meses, suas expectativas sobre o Brasil, sua opinião sobre a Escola Taboão, até uma divertida pergunta sobre os cabeludos. Essas perguntas, tocando em temas pessoais ou pedindo uma “opinião”, deram ocasião a comentários autobiográficos. Aliás, em muitas outras respostas são abundantes as referencias à sua própria vida, em um tom sobrenatural e de ação de graças, vista como instrumento de Deus para levar adiante o Opus Dei na terra.

Como dissemos, foram as próprias perguntas que definiram a pauta do que falou mons. Escrivá, e a leitura da transcrição nos leva a pensar que ele não tinha uma mensagem previamente preparada, a não ser a de levar a Deus, fazer crescer a esperança e a fé em todos que lhe escutavam. Alguns recordam que ele não sabia previamente o que iam perguntar-lhe[83]. E suas respostas foram dirigidas a cada pessoa que lhe perguntava; poucas vezes generalizava, lembrando, de certo modo, o modo de atuar de Jesus Cristo, como nos deixam entrever os Evangelhos. Esse modo de dialogar, com intervenções incisivas, concretas, personalizadas e, ao mesmo tempo, repletas de alusões a outros temas e digressões, torna muito difícil responder quais foram os temas mais importantes. Basta a leitura destes diálogos para percebermos uma extraordinária empatia com cada pessoa, o que levava a uma enorme riqueza e vivacidade no seu modo de abordar os temas. A impressão que temos é que não transmitia uma mensagem geral a todos, mas orientava a cada um que se dirigia a ele.

Muitos se admiraram com esta demonstração de caridade de São Josemaria. «A nenhum dos que lá estiveram passou inadvertido – e assim o comentavam – o delicado esforço que o Padre fez para se fazer entender: contendo o ritmo das frases, repetindo-as quando era necessário, “traduzindo” logo depois que empregava uma palavra ou expressão menos frequente»[84]. No encontro de domingo também impressionou o «modo como o Padre se dava a todo o momento, sem parar, mesmo quando, como hoje, tinha motivos de sobra para se sentir muito cansado»[85]. De fato, ao entrar no carro para retornar à casa disse, satisfeito, que tinha falado com claridade e caridade, e não faltam expressões de admiração no diário da Comissão: «Essa clareza e essa caridade vinham tocando fundo, com a graça do Senhor, nestes dias, os corações e as vidas de milhares de pessoas»[86]. E da Assessoria Regional: «Como ontem, ninguém tinha pressa de ir embora. Havia uma comoção geral, um ambiente inexplicável, como se tivéssemos vivendo o primeiro Pentecostes...»[87].

Como se pode perceber, seria muito difícil descrever, nos limites deste artigo, algo tão expressivo e afetuoso como uma mensagem vital que se pode admirar diretamente pelos vídeos. Entretanto, podemos apontar, depois de uma leitura minuciosa das tertúlias gerais, alguns temas que, segundo nossa opinião, acabaram sendo mais ressaltados. Esse esforço tem seu interesse, pois uma análise conjunta do conteúdo das suas palavras nestes dois encontros gerais poderia desvendar o que passava na sua alma naquele momento, o que mais desejava transmitir aos brasileiros. Propomos reunir os temas em cinco grupos: o amor a Deus, vida de oração e santidade; a fé, amor à Igreja e os sacramentos; a santificação do trabalho e a luta ascética; caridade e apostolado e o espírito do Opus Dei. Passemos a descrever cada um destes tópicos, para fazer uma análise final.

Temas das tertúlias gerais

a) O amor a Deus, vida de oração e santidade

São Josemaria Escrivá não abordava os assuntos de um modo teórico, mas vital, e assim transmitia seu profundo amor a Deus. Declarava, muitas vezes de forma explícita, sua identificação com Cristo como sacerdote, e animava a todos a buscar esta identificação. «E como sirvo ao Senhor? Falando às almas de Deus e somente de Deus. [...] Só quero recordar que sou Cristo, e Cristo fala de paz e de guerra, e Cristo fala de dar e dar-se, e Cristo fala sempre... de amor!»[88]. Em alguma ocasião, o próprio São Josemaria reconhecia que a única coisa que lhe interessava era transmitir este amor. «Comentamos que essa tertúlia, como sempre, fora uma autêntica catequese, e o Padre disse que se tratava de uma catequese de amor, e que não se falava senão de Deus. Disse também que, seguindo a doutrina de São Paulo, tinha rezado pelas autoridades, e falou do contraste dessa doutrina com a dos que pregam violência e luta de classes»[89].

Como é conhecido, São Josemaria não separa a vida ordinária, com os seus trabalhos e tantos pormenores, da relação com Deus. Por isso, nos seus ensinamentos, a ascética e a mística estão implicadas. Por exemplo, respondendo a uma empregada doméstica sobre o modo de cumprir sempre os propósitos, dá-lhe conselhos mais ligados à vida de oração. «Olha, todas estas coisas que fazes no serviço doméstico, todo o teu trabalho profissional, com o desejo, com o pensamento, fá-las no lar de Nazaré, onde estão Jesus, Maria e José»[90]. Nas suas catequeses sempre deixava claro – esta é a missão própria do Opus Dei – que a santidade está ao alcance da mão, na vida oculta de todos os dias. «Escuta, meu filho, os santos não fazem barulho. Provavelmente perto de ti haverá tantas pessoas que são muito agradáveis aos olhos de Deus e verdadeiramente santas. [...] E, além disso, o Senhor nos pede a todos nós, a ti e a mim também, que sejamos santos»[91].

Para chegar a Deus, reforçava a necessidade de buscá-lo com humildade e manter-se na sua presença, santificando a própria tarefa. «Procure-o no seu coração! [...] aproxime-se ao Pai do Céu, diga-lhe que o quer, diga-o carinhosamente muitas vezes ao dia, [...] e deste modo não se afaste do caminho de cristã, santifica a sua profissão e fará muito bem seu trabalho profissional»[92]. E, explicava São Josemaria, a oração vai conduzindo cada pessoa a se identificar com Cristo, com os seus sentimentos, a unir-se a Deus no trabalho e procurar aproximar muitas pessoas da graça de Deus.

b) A fé, amor à Igreja e os sacramentos

Outro tema muito frequente nos encontros gerais foi a fé. Relembrou, em pelo menos duas ocasiões, o depósito imutável da Revelação, que a Igreja deve conservar, e que, ao contrário de uma mentalidade difundida na época, nada tinha sido alterado deste núcleo essencial. Deste conteúdo da fé, São Josemaria destacava especialmente os sacramentos.

A religião está formada por uma série de preceitos, de coisas de fé dogmáticas, de outras de conduta que são morais, e que estão reveladas por Deus ao homem. Primeiro através dos profetas, depois através de Cristo Senhor Nosso, que para isso veio à terra. E a Igreja, nossa mãe, tem essa revelação em depósito. E é inalterável. [...] Não toca nada!, nenhuma coisa essencial, absolutamente!, os sacramentos são os mesmos! os mandamentos são os mesmos!, o Sacrifício do altar é o mesmo![93].

O fundador do Opus Dei advertiu em pelos menos duas ocasiões nessas tertúlias – e muitas outras vezes durante sua catequese no Brasil – da necessidade de cuidar da própria fé e da fé dos demais. No caso de uma mãe, que percebe que os professores não ensinam aos filhos a doutrina conforme a fé católica, o santo recordou que ela está obrigada a falar com a escola, a zelar pela educação dos filhos na verdadeira fé[94]. A uma pessoa que lhe perguntava, demonstrando preocupação, como ajudar os que se afastam de Deus, São Josemaria lembrou a Parábola do Filho Pródigo, infundindo-lhe tranquilidade e animando-o a interceder por estas pessoas. Logo após, também falou: «E tem cuidado pela tua alma e pela minha, que podemos também, com muita facilidade, nestes tempos revoltos, ir atrás dos porcos e da alfarroba»[95].

Era patente seu amor à Igreja, e falava forte quando abordava temas em que havia confusão doutrinal. Mas enchia os católicos de esperança, lembrando que Jesus ia na barca de Pedro, que parecia afundar, mas a barca de Pedro não afunda, dizia[96]. Para fazer crescer a fé, insistia em conhecê-la melhor, de fontes genuínas. Em uma ocasião mais íntima fez referência a isso, como relata o diário da sede da Comissão. Recordando outra pergunta sobre confusões doutrinais, falou da Revelação e do depósito da fé, que é intocável, sem esconder seu sofrimento[97]. Embora não tenha havido nenhuma pergunta diretamente sobre o tema, não deixou de animar o público a frequentar o Sacramento da Penitência, como o fez muitas vezes ao longo da sua estadia no Brasil. «Eu os aconselho a ir confessar com frequência: que receberão o perdão de Deus»[98].

c) Santificação do trabalho e luta ascética

Outro tema abordado por São Josemaria Escrivá foi o cumprimento do dever, como naturalmente era de se esperar. Insistiu nas virtudes da constância, da equanimidade, da responsabilidade. A uma pessoa que perguntou sobre a necessidade de cumprir os deveres mesmo sem vontade, afirmava: «Deve-se fazer as coisas mesmo quando não se tem vontade; então, como estão fundamentadas no sacrifício, na contradição... são muito mais fecundas, valem muito mais diante de Deus, brilham como luzeiros à noite». E aplicava este principio ao relacionamento com Deus: «Iremos sem vontade, mas sabendo que nos escuta, dizer-Lhe que não temos vontade, e já estamos fazendo oração. E verá como Ele lhe fala, verá como lhe remove, verá como acabará se acostumando a conversar com o Senhor, e como, no dia em que não se dirija a Deus, com vontade ou sem vontade, terá fome de fazê-lo, necessidade de fazê-lo!»[99].

Explicou também sobre santificação do trabalho, o fazer com perfeição as coisas humanas.

Um cristão, pelo fato de ser cristão, deveria ser profissionalmente pelo menos tão bom como o melhor dos não cristãos. [...] Não estejamos contentes com o nosso trabalho, se desprezamos os detalhes, se os fazemos com falta de amor, com pouco desejo de serviço. [...] Procure servir, que é o mais difícil. Fazer as coisas não por si, mas pelos outros, por Deus; para agradar o Senhor e fazer o bem aos outros. [...] E com isso terá uma grande paz na alma, e terá feito um grande bem ao Brasil, e o Senhor estará contente[100].

Através da visão sobrenatural, o cristão obtém a força para superar as pequenas e grandes dificuldades. «Vendo por trás de cada coisa a Vontade de Deus, e dando às coisas da terra a importância que têm, que é pouca. [...] Se nos colocamos diante de Deus e pensamos na eternidade, veremos que as dificuldades muitas vezes são inventadas por nós. Não existem. São muito pequenas... E de uma coisa pequena fazemos uma montanha»[101].

d) Caridade e apostolado em geral

A caridade em sentido amplo – incluindo a família, os colegas no trabalho e o apostolado com todos – foi o tema da maioria das perguntas nas duas tertúlias: 23 de 33 perguntas. Talvez a característica que mais chamou a atenção de São Josemaria tenha sido a cordialidade própria do brasileiro, fermentada sem dúvida pelo espírito cristão, muito voltado à convivência com os demais[102]. E percebeu, nestas características, um grande potencial de apostolado para toda a Igreja. Aproveitou a festa de Pentecostes, no dia 2 de junho, para referir-se a isso. Depois de citar os apóstolos, que começaram a falar em línguas e a proclamar as grandezas de Deus, disse: «Esta manhã me lembrei especialmente do Brasil e de São Paulo, porque aqui vejo pessoas de todos os países e de todas as línguas, que também entendem a voz de Cristo»[103].

Manifestou, naquele momento, seu sonho de que o Brasil fosse um povo missionário, que se multiplicasse, para contribuir na expansão da Igreja em todo mundo. Animava a rezar por isso. «Eu os abençoei para que vocês se multipliquem... Permitem que eu repita? [...] Como as areias de vossas praias, como as árvores dos vossos bosques – imensos! –, como as flores dos vossos jardins, como os aromas que se percebem no ar, no ambiente deste Brasil maravilhoso, como os luzeiros que brilham na noite...»[104].

Diante do que via, empurrava a todos a ter uma vida mais inserida em Cristo, para ser capazes deste trabalho missionário: «temos de acender-nos no desejo e na realidade de levar a luz de Cristo, o afã de Cristo, as dores e a salvação de Cristo a tantas almas de colegas, de amigos, de parentes, de conhecidos, de desconhecidos... – sejam quais forem suas opiniões pessoais nas coisas da terra –, para dar-lhes um bom abraço, fraterno! [...] Todos os cristãos temos obrigação de propagar a doutrina de Jesus Cristo»[105].

Incentivou todos a sentirem-se responsáveis pelo apostolado. Por exemplo, a uma pessoa que perguntava a respeito da educação escolar dos filhos, não teve dúvida em sugerir para os pais que promovam colégios onde se inclua também o ensino da fé cristã[106]. Era tal a sua delicadeza e amor à liberdade que, no regresso para casa, ao fazer referências a vários diálogos que tinha havido lá, comentou que teria sido um pouco invasivo ao falar dos colégios[107]. Depois de uma intervenção do pe. Xavier, ele mesmo sugeriu: «Os cooperadores. Sabem ganhar dinheiro em uma empresa... Devem saber dirigir isto...»[108]. São Josemaria, fiel à mensagem recebida por Deus da responsabilidade apostólica de todos os batizados, incentivava as pessoas próximas dos apostolados do Opus Dei, como é o caso da maioria os cooperadores, que tomassem parte ativa na promoção dos colégios, entre outras iniciativas.

Uma das perguntas deu oportunidade a São Josemaria de compendiar os seus anseios sobre o Brasil: o que espera deste país?[109]. De fato, sua resposta foi um resumo destes desejos:

Neste país, vocês naturalmente abrem os braços a todo mundo e recebem-no com carinho. Eu gostaria que isso se convertesse em um movimento sobrenatural, em um empenho grande para dar a conhecer a Deus a todas as almas; de unirem-se, de fazerem o bem não só neste grande país, mas a partir deste grande país a todo o mundo. Vocês têm que fazer sobrenaturalmente o que fazem naturalmente; e depois, levar esse empenho de caridade, de fraternidade, de compreensão, de amor, de espírito cristão a todos os povos da terra. Entendo que o povo brasileiro é e será um grande povo missionário, um grande povo de Deus, [...] e que vocês saberão cantar as grandezas do Senhor por toda a terra[110].

A amizade e a caridade é algo que deve brotar espontaneamente no cristão, fruto da graça e do empenho por ser santo, através da santificação pessoal nas tarefas ordinárias. «A melhor maneira de manifestar a amizade nobre e boa que tem pelos seus amigos é mostrar-se como é, como um homem cristão, como um professor que sabe cumprir sua obrigação na cátedra, como um profissional que está bem atualizado da ciência na que trabalha, como um cidadão que cumpre todos seus deveres»[111].

O segurança de uma loja perguntou-lhe sobre como tratar bem as pessoas, sorrindo e, ao mesmo tempo, cumprir bem o seu dever. «Meu filho, não disseste pouco: tu fizeste um programa inteiro de santidade no exercício da profissão», respondeu. Após falar da necessidade da mortificação e, com ela, do alento de Cristo que morreu na Cruz por nós, deu uma resposta que é uma demonstração clara do primado da caridade e que os sacrifícios estão direcionados sobretudo ao amor a Deus e ao próximo. Seu espírito tornava capaz de levar isso à prática:

Você é um grande cristão se sorri sempre: que Deus o abençoe! Mas não sorria só para tornar-se amável, nem para vender mais, mas por amor a Jesus Cristo... Porque você sabe que tem a obrigação de contribuir para a felicidade de todos. Nós não podemos ser egoístas. Se é mau cortar as asas do amor por hedonismo, por amor ao prazer, é pior ainda fechar-se cada um em si mesmo... e ser egoísta. Você me demonstrou que não é egoísta, que se preocupa com a apresentação das coisas, com ser amável, com ser afetuoso, com compreender, com desculpar aos exigentes[112].

e) Caridade na família

Foram abundantes os conselhos de São Josemaria para a vida familiar. A formação dos filhos vinga em um ambiente de bom exemplo e de liberdade. «E além disso, ensina-os com o exemplo. E quando vão sendo mais velhos, você vai lhes dando corda, um pouquinho de corda, um pouquinho de liberdade para que a administrem, dando-lhes responsabilidade»[113]. Em muitas ocasiões, aproveitou para animar a ser generosos em relação aos filhos que Deus poderia enviar a cada casal: «Sou muito amigo das famílias numerosas, mas também sou amigo das famílias que têm menos filhos ou que não têm nenhum, porque Deus não os dá»[114]. Logo em seguida, deixou claro que as famílias que evitam os filhos por motivos egoístas, as que «cortam as asas ao amor» como disse, não agradavam a Deus.

Voltou a falar da liberdade ao responder a pergunta de um problema tão comum de uma mãe, que pediu uma orientação a respeito de até onde podia chegar sua exigência com os filhos para irem à Missa.

Você tem a obrigação de ensinar aos teus filhos as obrigações do cristão: com o catecismo. [...] Depois, se eles vão crescendo, você lhes dá um pouquinho mais de liberdade cada dia, com responsabilidade pessoal. Que saibam que terão que prestar contas a Deus; que quando esta terra se acaba, esta vida se acaba, está a vida eterna. [...] Mas você não pode obrigar os seus filhos já crescidos a que cumpram pela força as obrigações religiosas. Não pode pegá-los pelas orelhas e dizer: eu o levo à Missa. Porque ainda que os leve materialmente à Missa, se não querem assistir, não assistem[115].

Aos filhos sempre recomendava uma obediência carinhosa, cheia de sentido sobrenatural e um pouco de esperteza, para saber conquistar os pais,

porque é um dever de cristã: sujeição, carinho, obediência, respeito, afeto, sacrifício voluntário e – o que eu gosto de ensinar como mortificação suprema – mostrar o sorriso na sua boca. Sorria! [...] Não discuta, não discuta com os seus... Mostrará o que é sua vocação com sua boa conduta, não discutindo. [...] Disputas não. Conduta boa, conduta melhor. E os conquistará e se entusiasmarão. [...] Desde já os queremos muito. Por que não lhes fala sinceramente? Você tem que ser muito sincera: diga-lhes, sinceramente, que me perguntou isso[116].

Animava os filhos a desejarem a felicidade dos pais na terra e, sobretudo, no céu. O caminho para isso era sempre o mesmo: sendo bons filhos, porque assim eles conseguirão que o pai e a mãe sejam cada dia melhores[117].

Os conselhos para a vida de relação entre marido e mulher foram também muito concretos, diretos e abundantes. Interessante notar sua capacidade, muito patente em todas as respostas sobre este tema, de fugir das regras vazias, do puro legalismo, que marcavam a pregação e os manuais de moral da época, e permanecem na mentalidade atual. Para uma senhora, dizia: «Cada dia deve procurar conquistar o teu marido, e ele a você. Entende? Por isso, o Senhor a conserva assim, bonita... e atraente. [...] Você se sentirá sempre jovem se olhar o seu marido como o que ele é: uma grande parte do seu coração, todo o seu coração!; se souber que ele é seu e você é dele, se souber que tem a obrigação de fazê-lo feliz, de participar das suas alegrias e das suas penas, da sua saúde e das suas doenças...»[118]. Com enorme empatia, e recebendo os sorrisos complacentes das esposas, continuava lembrando que os maridos deveriam ser os “filhos caçulas”, e animava a desculpá-los, compreendê-los, mimá-los, para serem elas também desculpadas e compreendidas. Dava conselhos semelhantes, muito práticos, também aos maridos.

Neste contexto de fina e exigente caridade, aconselhava não mortificar o outro cônjuge, infundir sempre alegria e paz no lar, chegando aos pormenores do cuidado da aparência, da comida, sempre tendo como fim a caridade. A soberba é a origem de todas as desavenças e, por isso, animava a aprender a pedir perdão, a lembrar-se dos primeiros encontros, especialmente nos momentos de desavença. Costumava também aconselhar a nunca brigar diante dos filhos, e não cegar as fontes da vida, para deixar que o Senhor mande as criaturas que queira e, depois, recebê-las com amor, como verdadeiras bênçãos de Deus. No contato da alma com Deus, há uma relação direta entre fidelidade e felicidade, e reafirmou esta ideia também para o matrimônio[119].

Era patente a sua emoção e carinho diante das pessoas que trabalham no lar, como dedicação profissional. Não poupou elogios ao responder a uma empregada doméstica que pedia um conselho para convencer às suas amigas para que apreciem este trabalho. «Escuta, minha filha, eu acho que um dos trabalhos principais que se faz no mundo é o de empregada doméstica. Por isso são tão escassas as empregadas, por isso vocês são tão interessantes [...]. Vocês são as que têm mais possibilidades de fazer o bem e mais possibilidades de destruir uma família»[120].

A uma mãe que parecia não entender tão bem a vocação de entrega a Deus no Opus Dei dos seus filhos ou parentes, o fundador mostrou o espírito de fraternidade que sempre se viveu no Opus Dei.

Você, para ser mãe de família, teve de desapegar-se um pouco do lar dos seus pais, não é assim? Por que pensa que os outros, se vão servir Nosso Senhor no meio da rua, iriam desprender-se do amor dos seus pais? De forma alguma! Acendem-no, melhoram-no, sublimam-no... [...] se você tem perto de si almas que vieram ao Opus Dei, agora, depois de virem ao Opus Dei, amarão você tanto e mais do que antes... Pode estar segura... Não nos vê? Não nos vê, que tudo é caridade, que tudo é compreensão,? [...] que sabemos conviver com todos, desculpar a todos, perdoar a todos, amar a todos?[121].

f) Espírito do Opus Dei

Para terminarmos este apanhado dos temas, ressaltamos que nestes dois encontros que estamos analisando foram pouquíssimas as referencias diretas sobre o Opus Dei, instituição que tinha fundado e com a qual a grande maioria dos presentes estavam relacionados. Seu espírito, que leva a viver com naturalidade a fé no meio do ambiente de cada um, não necessita maiores explicações. Ao mesmo tempo, todos os temas que tratam dos afãs humanos, da busca da santidade e do apostolado, referem-se já ao espírito do Opus Dei, espírito universal, que abrange todos os aspectos da vida cotidiana do homem comum. Não era necessário fazer propaganda da sua instituição, pois é essencial no espírito do Opus Dei a naturalidade, a mesma que viviam os primeiros cristãos. No entanto, era subjacente na sua catequese a difusão desse espírito, como difusão da santidade na vida ordinária[122].

Em uma das intervenções, São Josemaria sentiu a necessidade de explicar diretamente um traço do espírito do Opus Dei. Ocorreu quando uma pessoa sugeriu-lhe a necessidade de uma fusão de todos os católicos, com o objetivo de aumentar a eficácia na luta contra as ideologias anticristãs, as “forças do mal”, dizia, através de um controle centralizado do apostolado, normalmente por parte da hierarquia. O santo explicou que tinha outro espírito, o da liberdade e iniciativa pessoal. O Opus Dei, como instituição, tem a função de formar as pessoas para que cada um, no seu próprio local de trabalho, faça apostolado, unindo-se a outros ou não. De qualquer forma, o dever de fazer apostolado é de todo batizado, independente de um mandato oficial da hierarquia. A minha tarefa, dizia, «é falar do estritamente espiritual. Você faz muito bem em unir [sua iniciativa associativa] ao espiritual [...]. Respeito, merece toda a minha simpatia, mas eu vou por outro lado. [...] Eu só falo, exclusivamente, do puramente espiritual, da doutrina de Jesus Cristo no Santo Evangelho, daquela que repetiam os Apóstolos [...]. Este é o meu trabalho, e o seu é esse que disse, que é encantador. Você continue adiante e eu continuo adiante»[123].

CONCLUSÃO. UM PAI QUE VEIO PARA ESTAR COM SEUS FILHOS

Depois de relatar algumas das circunstâncias dos dois encontros gerais, as características do diálogo de São Josemaria com o público, e indicar os principais temas tratados, surge naturalmente a pergunta: qual foi a sua mensagem principal no Brasil? O que quis transmitir às pessoas com quem se encontrou? Certamente, o que dissemos até aqui e a agrupação que fizemos dos temas tratados, que sabemos estar longe de uma formulação definitiva, não nos tornam capazes de responder a essas perguntas.

Como fizemos referencia ao princípio deste artigo, a historiografia fala que sua viagem teve o propósito de difundir a doutrina. Segundo a opinião de Peter Berglar, dentro dos amplos aspectos que as respostas de mons. Escrivá de Balaguer abordaram durante suas viagens à América, destacam-se três pontos capitais: um sim à vida, dom de Deus, e às famílias numerosas; uma fidelidade à tradicional doutrina de fé da Igreja; uma recomendação insistente de acudir ao Sacramento da Confissão[124]. Na sua estadia no Brasil, e particularmente nos dois encontros gerais, deixou clara a sua preocupação com estes temas. Incentivava a lealdade ao Magistério e explicava a missão da Igreja de guardar e transmitir este depósito sem alterá-lo[125]. Fez uma vibrante propaganda da confissão sacramental, e elogiou todas as famílias que estão abertas à vida, numerosas ou não. Sem dúvida estes três aspectos encontram-se presentes no conjunto da mensagem de São Josemaria no Brasil; contudo, parece-nos que não é possível, dentro do que pudemos analisar, afirmar que estas foram as suas mensagens principais.

Perguntamos a muitas pessoas que estiveram presentes nestes encontros e, surpreendentemente, quase todas responderam que não tinham a impressão de receber nenhuma mensagem deliberada, no sentido estrito da palavra[126]. Por outro lado, todos, sem exceção, manifestaram ter ficado muito impressionados, felizes, com uma grande paz. A presença do fundador «aumentava a temperatura interior»[127], dava segurança, tranquilidade e, para os membros, a certeza de que estavam todos trabalhando em algo muito grande, de que o Opus Dei, em breve, se estenderia por todo o Brasil[128].

Estes testemunhos, o diário escrito no calor da hora e, naturalmente, a análise das suas palavras, deixaram patentes que, mais do que transmissão oficial de uma mensagem, sua viagem foi a de um pastor que veio cuidar do seu rebanho. Sua mensagem foi a sua presença, uma presença que confirmava os seus interlocutores na fé em Deus e na Igreja[129]. Muitas vezes dizia que tinha vindo para aprender[130]; em outras palavras, veio mais para estar do que falar com as pessoas, e não dizia isso como uma demonstração de simpatia, quase contradizendo a numerosa plateia atenta às suas palavras. Sentia-se como um pai que quer estar com sua família, e sabe que bastava a sua presença para consolar, confirmar e fazer-se entender. Tinha a consciência clara de possuir o carisma exclusivo de fundador e, ao longo dos dias em que esteve no Brasil, com grande simplicidade e confiança, transmitiu paternalmente suas experiências pessoais, deixando uma grande quantidade de relatos da história do Opus Dei e alusões autobiográficas. Esta atitude lembra a de São Paulo, nas primeiras viagens pastorais da história da Igreja: «Desejo ardentemente ver-vos, a fim de comunicar-vos alguma graça espiritual, com que sejais confirmados, ou melhor, para me encorajar juntamente convosco naquela vossa e minha fé que nos é comum»[131].

São Josemaria ficou admirado com o país. «O Brasil! O primeiro que vi foi uma mãe grande, formosa, fecunda, terna, que abre os braços a todos sem distinção de línguas, de raças, de nações, e a todos chama filhos. Grande coisa é o Brasil!»[132]. De fato, ao longo de sua estadia, captou muito rápido a idiossincrasia do povo brasileiro e, com a acuidade dos santos, ao mesmo tempo em que se surpreendia, surpreendeu os membros do Opus Dei com as observações que fazia sobre o país. Observou o clima de convivência, de fraternidade e de afeto entre todos. Reconheceu a raiz católica desta atitude, tão culturalmente assimilada em um país de dimensões continentais[133]. O funda- dor passou a pensar que o Brasil é um dom de Deus ao mundo. E desta percepção nasceu um lema, amplamente repetido, na sua catequese: «no Brasil e a partir do Brasil», porque mons. Escrivá viu que o Brasil poderia ajudar muito na difusão do Evangelho por todo o mundo. Essa impressão que São Josemaria teve do Brasil foi confirmada em várias ocasiões posteriores pelo beato Álvaro[134].

Este sonho do fundador, forjado ao longo dos 17 dias que esteve no país, manifestou-se na fórmula da bênção que deu ao final de uma tertúlia com os diretores da Comissão, membros dos Conselhos locais e numerários mais velhos, na sala de estar da sede da comissão no dia 29 de maio, e que passou a ser conhecida como a “bênção patriarcal”: «Que vos multipliqueis: como as areias das vossas praias, como as árvores das vossas montanhas, como as flores dos vossos campos, como os grãos aromáticos do vosso café. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo»[135]. Depois, repetiu mais duas vezes esta mesma benção, com o desejo de que “vos multipliqueis”, com ligeiras variações nas imagens utilizadas. Nas vésperas da sua partida, após mostrar uma placa com estas palavras que tinham feito as suas filhas na Administração do Sumaré, acrescentou sorrindo: «Este Brasil da minha alma, que me fez poeta! Dei-vos a bênção dos patriarcas sem me dar conta»[136].

Depois de aprender e captar o Brasil, mons. Escrivá passou a desejar ardentemente «levar esse empenho de caridade, de fraternidade, de compreensão, de amor, de espírito cristão a todos os povos da terra»[137]. Para isso era necessário que o trabalho de apostolado se estendesse por todo o Brasil. Manifestou às pessoas próximas, no final da sua visita, que passara a sonhar com o dia em que não haveria nenhum recanto do imenso país sem o calor de um lar do Opus Dei. Enfim, o fundador do Opus Dei não trouxe para o Brasil uma mensagem, mas deixou um sonho, o de estender o trabalho apostólico pelo Brasil e, a partir dele, por todo o mundo. Essa foi a mais clara “orientação” que deu para os brasileiros[138].

No final da tertúlia no Palácio Mauá, antes de despedir-se, sempre do modo espontâneo que caracterizava o seu diálogo, São Josemaria dirigiu-se a todos, e disse umas palavras que podem ser consideradas a recapitulação de tudo o que tinha falado. Pensamos também que é um resumo do que acabou por transmitir aos brasileiros.

Meus filhos, vocês não têm consciência o bastante da bênção de Deus que receberam ao viver nesta grande nação brasileira. Mas, amem sua fé católica!, amem sua fé cristã! Não esqueçam que a Igreja está fundada por Jesus Cristo de uma maneira hierárquica; que não há duas Igrejas, há ape- nas uma. Não esqueçam que a Igreja não muda, que é a de sempre. Rezem como rezavam nossas mães e nossos avós. Coloquem o mesmo empenho em lutar contra vós mesmos: eu também o farei. Vamos ser fiéis ao Se- nhor! E todas estas grandezas naturais do Brasil se converterão em bênçãos sobrenaturais; não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro. Eu disse, desde o primeiro dia que pisei esta terra bendita, que estou maravilhado, que estou feliz, porque contemplo o que se pode fazer, o que se faz, e o que se fará no Brasil e a partir do Brasil[139].


Alexandre Antosz Filho, sacerdote. Licenciado e bacharel em História pela Universidade Federal do Paraná, mestre em História pela Universidade de São Paulo e doutor em Teologia (especialidade em História da Igreja) pela Pontificia Università della Santa Croce (Roma). e-mail: alexantosz@gmail.com


[1] Francisco Faus, São Josemaria Escrivá no Brasil, São Paulo, Indaiá, 20112.

[2] Cfr. ibid, pp. 11-12.

[3] Cfr., por exemplo, Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, São Paulo, Quadrante, vol. III, 2004 (or: El Fundador del Opus Dei, 2004, vol. III), pp. 632-637; Hugo de Azevedo, Uma luz no mundo, Lisboa, Prumo - Rei dos Livros, 1988, pp. 345-348; Ana Sastre, Tempo de Caminhar, Lisboa, Diel, 1994 (or: Tiempo de Caminar, 1991), pp. 559-566; Peter Berglar, Opus Dei Vida y obra del fundador Josemaría Escrivá de Balaguer, Madrid, Rialp, 19895 (or: Opus Dei Leben und Werk des Gründers Josemaria Escrivá de Balaguer, 1983), pp. 290-293; Salvador Bernal, Mons Josemaria Escrivá de Balaguer Perfil do Fundador do Opus Dei, São Paulo, Quadrante, 1978 (or: Mons Josemaría Escrivá de Balaguer Apuntes sobre la vida del Fundador del Opus Dei, 1977), pp. 50-51; 58-59; 60-62; 203-205; 244-249; 342-343; 411-414.

[4] Além dos citados logo abaixo, devemos incluir um documento impresso dirigido aos membros do Opus Dei, que traz abundantes informações sobre sua viagem, Catequesis en América, vol. I, pp. 24-69, AGP, P04.

[5] Os dois encontros gerais, como se explicará pormenorizadamente neste artigo, além de filmados, foram gravados e transcritos integralmente. Para este artigo tivemos acesso a este material, que ainda não foi publicado.

[6] O diário da casa onde morou, no bairro do Sumaré, é um caderno de tamanho médio com 143 páginas, escritas e numeradas a mão, intitulado: Diário da primeira estadia do Padre no Brasil. O título era uma simpática manifestação do desejo de que a estadia viesse a se repetir, o que, como é sabido, não aconteceu. O relato, em estilo familiar mas muito preciso, centra-se nos episódios vividos na casa, e começa exatamente no dia 22 de maio, terminando no dia 7 de junho de 1974. Passaremos a citar como Diário da primeira estadia. O diário do centro da Casa Nova, assim chamada a sede do órgão de governo da sessão feminina, na rua Martiniano de Carvalho, é do mesmo estilo e abrange o mesmo intervalo cronológico; ocupa 26 folhas A4 datilografadas, divididas em duas partes, intituladas: Rascunho do diário da estadia do nosso Padre em São Paulo (1a parte), 10 páginas; Rascunho do diário da estadia do nosso Padre em São Paulo (2a parte), 16 páginas. Passaremos a citar Diário da Casa Nova, 1a parte e 2a parte, respectivamente.

[7] São muitas as pessoas que estiveram com São Josemaria na época. Entrevistamos pessoalmente cerca de vinte pessoas, e nem todas são citadas, pois acrescentaram pouco às fontes disponíveis. Pudemos esclarecer uma ou outra informação pouco precisa ou pequenos detalhes contraditórios. Agradecemos especialmente a ajuda de Alfredo Canteli, José María Córdova Fernández e Francisco Faus Pascuchi, que foram membros da Comissão Regional na época.

[8] Chama-se Comissão Regional o órgão de governo da sessão masculina de uma circunscrição do Opus Dei, e Assessoria Regional o correspondente à sessão feminina.

[9] Diário da primeira estadia, p. 1.

[10] Assim chamava-se o sacerdote posto à frente do governo regional em cada circunscrição. Atualmente o governo do Opus Dei está a cargo de um Prelado e seus representantes em cada circunscrição denominam-se Vigário regional. Francisco Xavier de Ayala Delgado era doutor em Direito Civil e Direito Canônico, pediu admissão ao Opus Dei em 03 de março de 1940 e foi ordenado sacerdote em 1948. Nomeado o primeiro conselheiro do Opus Dei em Portugal (1949-1958), foi ao Brasil em 1961, onde dirigiu o Opus Dei até sua morte, em 7 de outubro de 1994. Integrou também a Comissão Pontifícia de Revisão do Código de Direito Canônico e a Comissão Paritária para a ereção da Obra em Prelazia Pessoal.

[11] Sobre os motivos e intenções desta viagem, ver Vázquez de Prada, O Fundador, vol. III, pp. 620-632. A necessidade de difundir e confirmar a doutrina perene da Igreja e dar a conhecer o Opus Dei de um modo mais vasto, que surgiu já na década de 1960, foi a gênese remota desta viagem. Sobre isso, cfr. Conversaciones con Monseñor Escrivá de Balaguer Edición crítico-histórica preparada por José Luis Illanes − Alfredo Méndiz (eds.), Roma -Madrid, Instituto Histórico San Josemaría Escrivá de Balaguer – Rialp, 2012, pp. 13-22.

[12] D. Javier Echevarría foi a Roma em 1950, onde trabalhou sempre muito próximo de São Josemaria e o Beato Álvaro. Ordenou-se sacerdote em 1955 e de 1994 a 2016 foi o Prelado do Opus Dei.

[13] Diário da primeira estadia, pp. 2-5.

[14] Cfr. Boris Fausto, História do Brasil, São Paulo, Edusp, 201214, pp. 409-424.

[15] Ibid , pp. 418-426.

[16] Sobre a Teologia da Libertação, cfr. Josep-Ignasi Saranyana, Teologías Latinoamericanistas, I, em Josep-Ignasi Saranyana (dir.), Teología em América Latina, vol. III, Madrid- Frankfurt, Iberoamericana-Vervuert, 2002, pp. 255-331.

[17] Em 1950 a população do município de São Paulo era de 2.198.096 habitantes e em 1970 de 5.885.475. Dados de SEADE, SP Demográfico Resenha de Estatísticas Vitais do Estado de São Paulo, Ano 13, n. 1, Janeiro 2013, p. 3.

[18] Cfr. Fausto, História do Brasil, pp. 451-454.

[19] Cfr. Maria Theresinha Degani, Brasil, em José Luis Illanes (coord.), Diccionario de San Josemaría Escrivá de Balaguer, Burgos-Roma, Monte Carmelo − Istituto Storico San Josemaría Escrivá, 20132, pp. 166-169; Vázquez de Prada, O Fundador, vol. III, pp. 321-334; Sastre, Tempo, pp. 449-450. Ainda não existem estudos específicos sobre estes inícios.

[20] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[21] Cfr. Vázquez de Prada, O Fundador, vol. III, p. 628.

[22] O encontro, denominado UNIV, se organiza desde 1968, durante a Semana Santa (cfr. www.univforum.org, acessado em 18 de agosto de 2015). Em 1974 o domingo de Páscoa caiu no dia 14 de abril.

[23] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[24] Um grupo de cerca de 20 brasileiros que participou do UNIV e teve vários encontros com São Josemaria em Roma, retornou ao Brasil no dia 19 de abril. Então, eles nada sabiam da futura viagem de mons. Escrivá ao Brasil, e nada lhes fez intuir essa possibilidade. Entretanto, antes de acabar o mês, souberam que ele viria ao país. Entrevista com Eugenio Carlos Callioli, 11 de maio de 2016.

[25] O Parque Anhembi é um complexo cultural e comercial, de 400 mil m2 de área total, localizado no norte da cidade de São Paulo, às margens do Rio Tietê. Foi idealizado por Caio de Alcântara Machado, denominou-se Centro de Convenções Anhembi e inaugurado em 20 de novembro de 1970 com a realização do VII Salão do Automóvel. Além de um grande Pavilhão de Exposições, contém o Palácio de Convenções, onde foi realizado o encontro com mons. Escrivá. Mantendo as mesmas finalidades de então, o espaço foi totalmente reformulado, ganhando novas dependências e diversificando ainda mais o tipo de eventos que atende.

[26] Assim era conhecido o edifício de 21 andares, localizado no Viaduto Dona Paulina, n. 80, na região central da cidade de São Paulo. Ele foi inaugurado em 1952, para abrigar o Instituto de Engenharia, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), e a Federação das Indústrias do Estado de São (Fiesp). Estas ocupavam alguns andares, e alugavam os demais para outras entidades ligadas à Fiesp, como o Serviço Social da Indústria (Sesi) e sindicatos patronais da indústria. Atualmente o Palácio Mauá é conhecido como Fórum Hely Lopes Meirelles, da Fazenda Pública e Acidentes do Trabalho.

[27] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[28] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[29] No Opus Dei, o fundador, Josemaria Escrivá, costuma ser chamado familiarmente de Padre, como aparecerá escrito várias vezes nas próximas páginas.

[30] Diário da primeira estadia, p. 8. Chama-se Administração a equipe de pessoas que atende os serviços de manutenção e limpeza, cozinha e vestuário das casas do Opus Dei. Nas grandes residências, como era o caso do Sumaré, sede da Comissão, a Administração é um centro anexo e independente, com locais adequados ao trabalho que se realiza e com uma zona de moradia para as pessoas responsáveis.

[31] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014 e José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[32] Diário da primeira estadia, p. 8.

[33] Nome dado a duas pessoas encarregadas de zelar pela vida espiritual e material do Prelado do Opus Dei, como está estabelecido em seu direito particular. Durante a vida do fundador essas pessoas foram o pe. Álvaro del Portillho e o pe Javier Echevarría.

[34] Diário da primeira estadia, p. 22.

[35] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[36] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[37] Diário da primeira estadia, pp. 95-96.

[38] Diário da primeira estadia, p. 96.

[39] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[40] Diário da primeira estadia, p. 58.

[41] Diário da primeira estadia, p. 70.

[42] Instituto em São Paulo onde se realizam pesquisas sobre répteis e produzem soros antiofídicos, no qual existem grandes espaços arborizados.

[43] Diário da primeira estadia, p. 85.

[44] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[45] Denomina-se Centro de Estudos a residência onde a maioria dos membros celibatários do Opus Dei, os numerários, recebem uma formação específica e mais profunda sobre a doutrina da Igreja e o espírito do Opus Dei, ao longo de um período de dois anos, ordina- riamente.

[46] Diário da primeira estadia, p. 82.

[47] Diário da Casa Nova, 2a parte, p. 8.

[48] Diário da primeira estadia, p. 85. Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[49] Entrevista com Décio Piva, 18 de outubro de 2015.

[50] Diário da primeira estadia, p. 85.

[51] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014, e Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[52] Entrevista com José Antonio Macedo, 18 de fevereiro de 2015.

[53] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[54] Claquete é um pequeno quadro negro em que são registradas as referências de uma determinada sequência e um determinado plano, antes do início de cada filmagem. Dizer que um pessoa “tem claquete”, significa que tem grande capacidade de comunicação.

[55] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014 e José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[56] Cfr. Faus, São Josemaria, p. 95.

[57] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014, e Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[58] Entrevista com Maria Bernardita Garcés Troncoso, 21 de maio de 2015.

[59] Diário da primeira estadia, p. 97.

[60] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014, e Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[61] Entrevista com Maria Bernardita Garcés Troncoso, 21 de maio de 2015.

[62] Diário da primeira estadia, p. 86.

[63] Diário da primeira estadia, pp. 86-87; Diário da Casa Nova, 2a parte, p. 7

[64] Diário da primeira estadia, p. 87. O Diário da Casa Nova, 2a parte, p. 7, também fala de 4.000 pessoas.

[65] Ibid.

[66] Diário da primeira estadia, pp. 86-88.

[67] Diário da Casa Nova, 2a parte, p. 8. Nosso Padre é uma forma carinhosa com a qual os membros do Opus Dei chamam a São Josemaria.

[68] Diário da primeira estadia, pp. 88-89.

[69] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[70] Diário da primeira estadia, p. 96.

[71] Diário da Casa Nova, 2a parte , p. 9.

[72] Diário da primeira estadia, p. 95.

[73] Diário da primeira estadia, p. 96.

[74] Diário da primeira estadia, p. 97.

[75] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[76] Cfr. Faus, São Josemaria, p. 48.

[77] Cfr. ibid., p. 49.

[78] «No he venido al Brasil a enseñar nada». Transcrição da tertúlia geral com mons. Escrivá no Centro de Convenções Anhembi, São Paulo, 1 de junho de 1974, p. 1, 3o parágrafo [tradução nossa]. Passaremos a citar apenas Anhembi, seguido da página e do parágrafo.

[79] «Estamos reunidos para hablar de las grandezas de Dios; no de lo que yo quiera, sino de lo que a vosotros os interese». Transcrição da tertúlia geral com mons. Escrivá no Palácio Mauá, p. 1, 4o parágrafo [tradução nossa]. Passaremos a citar apenas Mauá, seguido da página e do parágrafo.

[80] Diário da primeira estadia, pp. 89-90.

[81] Faus, São Josemaria, p. 49.

[82] Diário da Casa Nova, 2a parte , p. 7.

[83] Entrevista com José María Córdova Fernández, 18 de fevereiro de 2014.

[84] Diário da primeira estadia, p. 89.

[85] Diário da primeira estadia, p. 98. Sobre o contexto desta tertúlia, ver também Faus, São Josemaria, pp. 47-52.

[86] Diário da primeira estadia, p. 98.

[87] Diário da Casa Nova, 2a parte, p. 9.

[88] «¿Y cómo sirvo al Señor? Hablando a las almas de Dios y sólo de Dios. [...] Sólo quiero recordar que soy Cristo y Cristo habla de paz y de guerra, y Cristo habla de dar y de darse, y Cristo habla siempre... ¡de amor!». Anhembi, 2,6 [tradução nossa].

[89] Diário da primeira estadia, p. 90.

[90] «Todas estas cosas que haces en el servicio doméstico, toda tu labor profesional, con el deseo, con el pensamiento... hazlas en el hogar de Nazaret, donde están Jesús, María y José» Anhembi, 16,13 [tradução nossa].

[91] «Los santos no hacen ruido. ¿Oyes? Probablemente, cerca de ti habrá tantas personas que a lo ojos de Dios son muy agradables y verdaderamente santas. [...] Y además el Señor nos pide a todos nosotros –y a ti y a mí también, ¿eh?–, que seamos santos» Anhembi, 17,7-18, 3 [tradução nossa].

[92] «¡Búscalo en tu corazón! [...] Acércate al Padre del Cielo, dile que lo quieres, díselo cariño- samente muchas veces al día, [...] y de esa manera no te apartas del camino de cristiana, santificas tu profesión y harás muy bien tu labor profesional» Anhembi, 20,5 [tradução nossa].

[93] «La religión está formada por una serie de preceptos..., de cosas de fe dogmáticas, de otras de conducta que son morales, y que están reveladas por Dios al hombre: primero a través de los profetas, después a través de Cristo Señor Nuestro, que a eso vino a la tierra. Y la Iglesia, nuestra Madre, tiene esa revelación en depósito. Y es inalterable. [...] ¡No toca nada! ¡Ninguna cosa esencial! ¡En absoluto! ¡Los Sacramentos son los mismos...!, ¡los mandamientos son los mismos...!, ¡el Sacrifício del Altar es lo mismo...!». Anhembi, 15, 1 [tradução nossa].

[94] Anhembi, 6,6.

[95] Y ten cuidado por tu alma y por la mía, que podemos también, con mucha facilidad en estos tiempos revueltos, irnos detrás de los puercos y de la bellota, ¿eh?». Anhembi, 19,8 [tradução nossa].

[96] Anhembi, 6,6.

[97] Diário da primeira estadia, p. 90. «La están destruyendo [...]. Les he hablado del depósito de la fe. ¡Si no pueden tocarlo!... ¡Cuidado que a mí me hace sufrir esto!».

[98] «Yo os aconsejo que vayáis a confesar con frecuencia, que recibiréis el perdón de Dios». Anhembi, 5,2 [tradução nossa].

[99] «Hay que hacer las cosas cuando no se tienen ganas. Entonces, como están fundamentadas en el sacrificio, en la contradicción, son mucho más fecundas, valen mucho más delante de Dios, brillan como los luceros de la noche. [...] Iremos sin gana, pero sabiendo que nos escucha, a decirle que no tenemos gana, y ya estamos haciendo oración: y verás cómo Él te habla, verás cómo te mueve, verás cómo acabarás acomodándote a ese charlar con el Señor, y cómo el día que no te dirijas a Dios, con gana o sin gana, tendrás hambre de hacerlo, ¡necesidad de hacerlo!» Anhembi, 3,2 [tradução nossa].

[100] «Un cristiano, por el hecho de ser cristiano, debería ser profesionalmente, por lo menos, tan bueno como el mejor de los no cristianos. [...] No estemos contentos de nuestro tra- bajo, si desdeñamos los detalles, si los hacemos con falta de amor, con poco deseo de servicio. [...] Procura servir, que es lo más difícil. Hacer las cosas no por ti, sino por los demás, por Dios; por dar gusto al Señor y hacer el bien a los demás. [...] Y con esto tendrás una gran paz en el alma, y habrás hecho un gran bien al Brasil, y el Señor estará contento» Mauá, 5,5 [tradução nossa].

[101] «Viendo detrás de cada cosa la Voluntad de Dios,y dando a las cosas dela tierra el relieve que tienen, que es poco. [...] Si nos ponemos delante de Dios y pensamos en la eternidad, veremos que las dificultades, casi siempre, nos las inventamos nosotros. No existen. Son muy pequeñas... Y de una cosa pequeña hacemos una montaña». Mauá, 18,9 [tradução nossa].

[102] Anhembi, 1,4.

[103] «Esta mañana [...] tuve un recuerdo especial para el Brasil y para San Pablo, porque aquí veo gentes de todos los países y de todas las lenguas, que también entienden la voz de Cristo» Mauá, 1,3 [tradução nossa].

[104] «Yo os bendije para que os multiplicarais...¿Me permitís repetirlo?[...]«Como las arenas de vuestras playas, como los árboles de vuestros bosques –¡inmensos!–, como las flores de vuestros jardines, como los aromas que se perciben en el aire, en el ambiente de este Brasil ¡maravilloso!, como los luceros que brillan en la noche...». Mauá, 6,7-7,3 [tradução nossa].

[105] «Hemos de encendernos del deseo y de la realidad de llevar la luz de Cristo, el afán de Cristo, los dolores y la salvación de Cristo a tantas almas de colegas, de amigos, de parientes, de conocidos, de desconocidos... –sean cualesquiera sus opiniones personales en cosas de la tierra–, para darles a todos ¡un buen abrazo...! ¡fraterno! [...] Todos los cristianos tenemos obligación de propagar la doctrina de Jesucristo». Mauá, 13,4-14,2 [tradução nossa].

[106] Anhembi, 14,1.

[107] O original transcreve as palavras de São Josemaria em castelhano, que disse: «Yo les he echado en cara lo del colegio». Diário da primeira estadia, p. 90.

[108] «Los cooperadores. Saben ganar dinero en una empresa... Tienen que saber llevar esto... » [tradução nossa]. Diário da primeira estadia, p. 90. Os cooperadores são os amigos do Opus Dei que colaboram com suas esmolas e orações. O original transcreve as palavras de São Josemaria em castelhano

[109] Mauá, 2,6

[110] «En este país na-tu-ral-men-te, naturalmente, abrís los brazos a todo el mundo y lo recibís con cariño. Yo querría que eso se convirtiera en un movimiento sobrenatural, en un empeño grande de dar a conocer a Dios a todas las almas: de uniros, de hacer el bien no sólo en este gran país, sino desde este gran país a todo el mundo. [...] Que tenéis que hacer sobrenatural- mente lo que hacéis naturalmente; y después llevar este afán... de caridad, de fraternidad, de comprensión, de amor, de espíritu cristiano a todos los pueblos de la tierra. Yo entiendo que el pueblo brasileño es, y será, un gran pueblo misionero, un gran pueblo de Dios [...], y las grandezas de Dios las sabréis vosotros cantar en toda la tierra». Mauá, 2,7-3,2 [tradução nossa].

[111] «La mejor manera de manifestar la amistad noble y buena que tienes a tus amigos es mostrarte como eres, como un hombre cristiano, como un profesor que sabe cumplir su obligación en la cátedra, como un profesional que está bien enterado de la ciencia en la que trabaja, como un ciudadano que cumple todos sus deberes» Mauá, 8,7 [tradução nossa].

[112] «Hijo mío, no has dicho poco: tú has dicho todo un programa de santidad en el ejercicio de la profesión. [...] Tú eres un gran cristiano si sonríes siempre: ¡Dios te bendiga! Pero no sonrías sólo por hacerte amable, ni por vender más, sino por amor a Jesucristo... Porque sabes que tienes la obligación de contribuir a la felicidad de todos. Que no podemos ser egoístas. Si es malo cortar las alas del amor, por hedonismo, por amor al placer, es peor aún encerrarse cada uno en sí mismo... y ser egoísta. Tú me has demostrado que no eres egoísta, que te preocupas de la presentación de las cosas, de ser amable, de ser afectuoso, de comprender, de disculpar a los exigentes». Anhembi, 12,12 - 13, 1 [tradução nossa].

[113]«Ya demás les enseñas con el ejemplo. Y cuando van siendo mayores, les va dando cuerda, un poquito de cuerda, ¿eh?... Un poquito de libertad, para que la administren. Dándoles responsabilidad» Anhembi, 7,2 [tradução nossa].

[114] «Soy muy amigo de las familias numerosas, pero también soy amigo de las familias que tienen menos hijos o que no tienen ninguno porque Dios no se los da. No soy amigo de las familias que... por egoísmo, cortan las alas del amor y hacen el amor estéril e infecundo». Anhembi, 7,10-8,3 [tradução nossa].

[115] «Tú tienes la obligación de enseñar a tus hijos las obligaciones de cristiano: con el cate- cismo. [...] Después, si ellos van haciéndose mayores, tú les das un poquito más de libertad cada día, con responsabilidad personal. Que sepan que tendrán que dar cuenta a Dios; que cuando esta tierra se acaba, esta vida se acaba, está la vida eterna. [...] Pero tú no puedes obligar a tus hijos mayores a que cumplan por la fuerza las obligaciones religiosas. No les puedes coger por las orejas y decir: yo te llevo a Misa. Porque aunque los lleves materialmente a Misa, si no la quieren oír no la oyen». Mauá, 3,5-3,6 [tradução nossa].

[116]«Porque es un deber cristiano: sujeción, cariño, obediencia,r espeto, afecto, sacrificio gustoso y –lo que a mí me gusta señalar como mortificación suprema– muestra la sonrisa en tu boca, ¡sonríe! [...] No discutas, no discutas con los tuyos... Tú enseñarás lo que es tu vocación con tu conducta buena, no discutiendo. [...] Disputas no. Conducta buena, conducta mejor. Y los arrastrarás y se entusiasmarán... [...] Pero ya los queremos mucho. [...] ¿Por qué no les hablas sinceramente? Tienes que ser muy sincera: diles, sinceramente, que me has preguntado eso». Mauá, 14,8-15,11 [tradução nossa].

[117] Mauá, 17,9-17,10.

[118] «Cada día debes procurar conquistar a tu marido,yélati.¿Oyes?Por eso el Señor te conserva así de guapa... y de atrayente... [...] Te sentirás siempre joven se miras a tu marido como lo que es: una gran parte de tu corazón, ¡todo tu corazón!; si sabes que él es tuyo y tu eres de él, si sabes que tienes la obligación de hacerlo feliz, de participar de sus dichas y de sus penas, de su salud y de su enfermedad...». Anhembi, 10,15-12,2 [tradução nossa].

[119] Entre outras respostas citadas, Anhembi, 22,1.

[120] «Oye, hija mía, yo entiendo que uno de los trabajos principales que se hacen en el mundo es el de empleada del hogar; por eso escasean tanto ahora las empleadas. Por eso sois tan interesantes. [...] Sois las que tenéis más posibilidades de hacer el bien y más posibilidades de destruir una familia». Anhembi, 9,5-9,6 [tradução nossa].

[121] «Tú,para ser madre de familia, tuviste que separate un poco del hogar de tus padres,¿no es así? ¿Por qué piensas que los demás, si van a servir a Nuestro Señor en medio de la calle, van a desprenderse del amor de sus padres? ¡De ninguna forma! Lo encienden, lo mejoran, lo subliman... [...] Si tienes cerca de ti almas que han venido al Opus Dei, ahora, después de venir al Opus Dei, te quieren tanto y más que antes... Puedes estar segura... Pero, ¿no nos ves? ¿No nos ves, que es todo caridad, que es todo compresión; [...] que sabemos convivir con todos, disculpar a todos, perdonar a todos, amar a todos?». Mauá, 11,3-11,6 [tradução nossa].

[122] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[123] «A mí me toca sólo hablar de lo estrictamente espiritual. Tú haces muy bien en unir [tu iniciativa] a lo espiritual [...]. Lo respeto, me merece toda la simpatía, pero yo voy por otro lado. Yo sólo hablo, exclusivamente, de lo puramente espiritual, de la doctrina de Jesucristo en el Santo Evangelio, de aquella que repetían los Apóstoles [...]. Esta es mi labor, y la tuya ésa que has dicho, que es encantadora. Tú adelante, y yo adelante». Mauá, 4,6-4,7 [tradução nossa].

[124] Cfr. Berglar, Opus Dei, p. 291.

[125] Entrevista com Francisco Faus Pascuchi, 13 de junho de 2014.

[126] Além dos testemunhos já citados neste artigo e que compartilham esta opinião, corroboraram também Rafael Llano Cifuentes, Paulo Sertek, Homero Luis Piccolo, Élcio Carillo, entre outros. Isso foi perguntado pelo autor a mais de 20 pessoas diferentes. Nenhuma delas afirmou claramente que São Josemaria veio com alguma mensagem específica para o Brasil.

[127] Entrevista com José Luiz Díez Hernández, 23 de fevereiro de 2014.

[128] Entrevista com Luis Roberto Barros, 20 de junho de 2014 e Francisco Faus Pascuchi, 13 de junho de 2014.

[129] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[130] O Diário da Casa Nova, 2a parte , p. 7, ao comentar o início da tertúlia, chama a atenção para esta expressão do fundador.

[131] Rom 1, 11-12

[132] «¡El Brasil!, lo primero que he visto es una madre grande, hermosa, fecunda, tierna, que abre los brazos a todos sin distinción de lenguas, de razas, de naciones, y a todos los llama hijos. ¡Gran cosa el Brasil!». Anhembi, 1,3 [tradução nossa].

[133] Cfr. Vicente Ancona Lopez, Prefácio à segunda edição, em Faus, São Josemaria, pp. 7-8.

[134] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[135] Diário da primeira estadia, p. 66. Relatado também em Faus, São Josemaria, pp. 139-140.

[136] Diário da Casa Nova, 2a parte , pp. 14-15.

[137] Cfr. Ancona Lopez, Prefácio, p. 9.

[138] Entrevista com Alfredo Canteli, 9 de junho de 2014.

[139] «!Hijos! no os dais bastante cuenta de la bendición de Dios que es para vosotros vivir en esta gran nación brasileña. Pero ¡amad vuestra fe católica!, ¡amad vuestra fe cristiana! No olvidéis que la Iglesia está fundada por Jesucristo de una manera jerárquica; que no hay dos Iglesias, que hay una. No olvidéis que la Iglesia no cambia, que es la de siempre. Rezad como rezaban nuestras madres y nuestros abuelos. Poned el mismo empeño en luchar contra vosotros mismos: yo también lo pondré. ¡Vamos a ser fieles al Señor! y todas estas grandezas naturales del Brasil se convertirán en bendiciones sobrenaturales; no sólo para el Brasil, sino para el mundo entero. Yo os he dicho, desde el primer día que he pisado esta tierra bendita, que estoy encantado, que estoy feliz, porque contemplo lo que se puede hacer, lo que se hace, y lo que se hará en Brasil y desde el Brasil». Mauá, 19,4 [tradução nossa].