Devemos ser santos e imaculados na presença de Deus - Mensagens de Nossa Senhora Aparecida

Com ocasião do Ano Nacional Mariano, oferecemos um novo artigo que explica porque Nossa Senhora da Conceição Aparecida é a padroeira do Brasil.

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Opus Dei - Devemos ser santos e imaculados na presença de Deus - Mensagens de Nossa Senhora Aparecida

Ao considerarmos o encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul, normalmente, a primeira pergunta que nos vem à cabeça é a seguinte: qual é a imagem de Nossa Senhora encontrada? Ou qual foi a imagem trazida pela rede dos pescadores? A resposta: trata-se de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.

E não será que este fato não contém já uma mensagem de Maria para nós?! O nome completo de Nossa Senhora Aparecida é Nossa Senhora da Conceição Aparecida. E a conceição de Nossa Senhora é, como sabemos, imaculada.

É bom recordarmos que nós, brasileiros, herdamos a devoção à Nossa Senhora da Conceição dos portugueses. Desde 1646, Dom João IV, rei de Portugal, proclamou-a padroeira de Portugal e dos seus domínios. E assim, se espalhou por todo o Brasil a sua devoção, demonstrada em tantos oratórios, ermidas, capelas e Igrejas em que se venera a Imaculada Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora da Conceição.

A imagem de Aparecida é a mais célebre, embora longe de ser a mais rica ou de maior valor artístico, entre as diversas e primorosas imagens de Nossa Senhora da Conceição[1]. E devido às graças alcançadas e ao fato de sua devoção ter-se espalhado, Nossa Senhora da Conceição continuou sendo a Padroeira do Brasil, visto que antes já era, indiretamente, pelo Brasil fazer parte dos domínios de Portugal.

Que lição podemos tirar do fato da imagem da nossa padroeira ser uma representação de Nossa Senhora da Conceição?

Podemos pensar que a identidade da imagem é a própria de Maria. Em Lourdes, 141 anos após o encontro da imagem de Aparecida, Maria assim se apresentou: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Define o ser de Maria ter sido preservada de toda a mácula de pecado, tanto do original como dos pessoais. Toda pura é Maria, em corpo e alma. Este é o dogma da Imaculada Conceição de Maria, definido pela Igreja em 1854.

O fato de nossa Mãe espiritual ser a Imaculada, nos recorda que Deus deseja que seus filhos sejam santos e imaculados também.

No prefácio das Solenidades de Nossa Senhora Aparecida e da Imaculada Conceição se lê: “A fim de preparar para o vosso Filho mãe que fosse digna dele, preservastes a Virgem Maria da mancha do pecado original, enriquecendo-a com a plenitude de vossa graça. Nela nos destes a primícias da Igreja, esposa de Cristo, sem ruga e sem mancha, resplandecente de beleza. Puríssima, na verdade, devia ser a Virgem que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha, que tira nossos pecados”.

Neste mesmo prefácio se lê que Maria foi “escolhida entre todas as mulheres”, tornando-se “modelo de santidade”.

O fato de nossa Mãe espiritual ser a Imaculada, nos recorda que Deus deseja que seus filhos sejam santos e imaculados também. São Paulo nos ensina: “Ele mesmo nos escolheu antes da criação do mundo para que sejamos santos e imaculados na sua presença, [...]por amor”. Esta eleição gratuita que recebemos do Senhor marca-nos um fim bem determinado: a santidade pessoal, como São Paulo nos repete insistentemente: Haec est voluntas Dei: sanctificatio vestra, esta é a Vontade de Deus: a vossa santificação (1Tes 4,3)[2].

Devemos ser santos e imaculados na presença de Deus, como Maria sempre foi, também na terra, e como são todos os santos no céu.

Temos que ser santos - vou dizê-lo com uma frase castiça da minha terra - sem que nos falte um pelo: cristãos de verdade, autênticos, canonizáveis. E, senão, teremos fracassado como discípulos do único Mestre[3].

Mas não percais de vista que o santo não nasce; forja-se no contínuo jogo da graça divina e da correspondência humana. Tudo aquilo que se desenvolve [...] começa por ser pequeno. É alimentando-se gradualmente que, mediante progressos constantes, chega a tornar-se grande. Por isso te digo que, se desejas portar-te como um cristão consequente - sei que estás disposto, ainda que muitas vezes te custe vencer ou puxar para cima este pobre corpo -, tens de cuidar em extremo dos pormenores mais ínfimos, porque a santidade que Nosso Senhor te exige alcança-se cumprindo com amor de Deus o trabalho, as obrigações de cada dia, que quase sempre se compõem de realidades corriqueiras[4].

Santidade nas tarefas habituais, santidade nas pequenas coisas, santidade no trabalho profissional, nas ocupações de cada dia...; santidade, para santificar os outros[5].


Devemos ser santos e imaculados na presença de Deus, como Maria sempre foi, também na terra, e como são todos os santos no céu.

Procuremos fomentar no fundo do coração um desejo ardente, uma ânsia grande de alcançar a santidade, ainda que nos contemplemos cheios de misérias. Não nos assustemos. À medida que se avança na vida interior, percebem-se com mais clareza os defeitos pessoais. Acontece que a ajuda da graça se transforma numa espécie de lente de aumento, e até a partícula mais minúscula de pó, o grãozinho de areia quase imperceptível, aparecem com dimensões gigantescas, porque a alma adquire a finura divina, e mesmo a menor das sombras incomoda a consciência, que só se satisfaz com a pureza de Deus. Dize agora ao Senhor, do fundo do teu coração: Senhor, quero de verdade ser santo, quero de verdade ser um digno discípulo teu e seguir-te sem condições[6].

Recorramos à Nossa Senhora Aparecida, para que seguindo seu exemplo, procuremos ser santos e imaculados na presença de Deus.

Flávio Sampaio


[1] A imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é pequena e singela, medindo apenas 36 cm de altura e pesando 2,550 Kg. A imagem trazia pintado no seu barro cozido, um manto azul escuro forrado de vermelho granada, cores oficiais das imagens de Nossa Senhora da Conceição. Devido ao fato de ter ficado muito tempo submersa no lodo das águas e, posteriormente, exposta ao lume e à fumaça dos candeeiros e velas, adquiriu uma pátina, que escureceu o barro paulista. Peritos em artes estudaram a imagem e atribuíram-na ao artista Frei Agostinho de Jesus.

[2] São Josemaria, Amigos de Deus, n.2

[3] Ibidem, n.5.

[4] Ibidem, n.7.

[5] Ibidem, n.18.

[6] Ibidem, n.20.