Álvaro del Portillo "serviu com um coração despojado de interesses mundanos"

Álvaro del Portillo, primeiro sucessor do fundador do Opus Dei, foi beatificado na presença de fiéis de oitenta países. Na homilia, o Cardeal Amato afirmou: "o novo bem-aventurado convida-nos a uma santidade misericordiosa, afável, mansa e humilde".

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Hoje de manhã Álvaro del Portillo, bispo, primeiro sucessor de são Josemaria à frente do Opus Dei e um dos protagonistas do Concílio Vaticano II, foi beatificado, numa cerimônia multitudinária presidida pelo delegado do Papa Francisco, o cardeal Angelo Amato, acompanhado pelo cardeal Antonio Maria Rouco, arcebispo emérito de Madri e pelo prelado do Opus Dei, Javier Echevarria.


A Cerimônia começou com uma mensagem do Papa Francisco

No início da cerimônia, o vigário geral do Opus Dei, Fernando Ocáriz, leu uma mensagem do Papa Francisco. O Santo Padre destacou que o bem-aventurado Álvaro "ensina que na simplicidade e cotidianidade da nossa vida podemos encontrar um caminho seguro de santidade" e recordou que "percorreu muitos países fomentando projetos de evangelização, sem reparar nas dificuldades, movido pelo seu amor a Deus e aos irmãos. Quem está muito unido a Deus sabe estar muito perto dos homens" (Mensagem completa).

Depois da fórmula solene de beatificação pronunciada pelo cardeal Amato às 12h24, a imagem do novo bem-aventurado foi descoberta. A festa de D. Álvaro será celebrada no dia 12 de maio nas dioceses que a Santa Sé determinar.

Outro momento importante foi o depósito das relíquias de Álvaro del Portillo no altar, levadas pela família Ureta Wilson, cujo filho José Ignacio foi milagrosamente curado por intercessão no novo bem-aventurado.

Uma participação numerosa e internacional

A universalidade da figura do novo bem-aventurado foi comprovada através da presença de milhares de fiéis de mais de oitenta países. Na cerimônia concelebraram 17 cardeais e 170 bispos de todo o mundo.

Nas primeiras filas estavam mais de 200 pessoas com algum tipo de deficiência, e representantes das numerosas iniciativas sociais promovidas por D. Álvaro, especialmente na África e América Latina. Também participaram vários familiares e algumas autoridades civis espanholas e internacionais.

1.600 ônibus e um serviço de ônibus especial que partia das estações de metrô levaram, desde o início da manhã, mais de 200.000 pessoas, que encheram 185.000 metros quadrados de Valdebebas. Ali esperaram a cerimônia assistindo a uma programação nos 26 telões, preparando-se espiritualmente e rezando nas 13 capelas instaladas, ou recebendo o sacramento da penitência em algum dos 80 confessionários distribuídos no recinto.

A homilia destacou a sua fidelidade ao Evangelho, à Igreja e ao Papa 

Na sua homilia, o cardeal Amato realizou um perfil de algumas virtudes que D. Álvaro "viveu de modo heroico", como a sua "fidelidade ao Evangelho, à Igreja, ao Magistério do Papa". Álvaro del Portillo - explicou o cardeal - "fugia de todo personalismo, porque transmitia a verdade do Evangelho e a integridade da tradição, não as suas próprias opiniões".  Entre outras coisas, "Destacava-se pela prudência e retidão ao avaliar os acontecimentos e as pessoas; pela justiça para respeitar a honra e a liberdade dos outros".

Para o cardeal Amato, o bem-aventurado Álvaro convida-nos a uma santidade "amável, misericordiosa, afável, mansa e humilde. Os santos convidam-nos a introduzir no seio da Igreja e da sociedade o ar puro da graça de Deus, que renova a face da terra".

A participação dos fiéis caracterizou-se pela piedade e alegria dos cantos, acompanhando o coro de 200 vozes da Jornada Mundial da Juventude de Madri 2011. Para a comunhão, 1200 sacerdotes distribuíram-se por todo o recinto.

D. Javier Echevarría: uma súplica especial pelos que sofrem perseguição por causa da fé 

No fim da celebração, D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, dirigiu umas palavras de agradecimento a Deus, à Igreja e ao Papa Francisco, ao Papa emérito Bento XVI, aos cardeais Amato e Rouco, e à arquidiocese de Madri, e também ao coro, aos voluntários e aos meios de comunicação, que tornaram possível que a cerimônia fosse vista pela televisão no mundo inteiro.

O prelado acrescentou: "a elevação de Álvaro del Portillo aos altares recorda-nos de novo a chamada universal à santidade, proclamada com grande força pelo Concílio Vaticano II". Também fez referência à alegria "de são Josemaria Escrivá, ao ver que este seu filho fidelíssimo foi proposto como intercessor e exemplo a todos os fiéis".

D. Javier Echevarría pediu uma súplica especial "pelas nossas irmãs e os irmãos que, em diversos lugares do mundo, sofrem perseguição e inclusive martírio por causa da fé".