
80 anos depois, a aventura começa na Coreia
Mercé é enfermeira, mas agora se dedica inteiramente a outra tarefa: a de aprender coreano. Com outras fiéis do Opus Dei, foi residir em Daejeon (Coreia) para começar o trabalho apostólico estável no país asiático. Acompanhemos o seu relato dos inícios.
01 de março de 2010
Hoje, esse sonho é realidade também na Coreia.
Há alguns meses, vim morar em Daejeon (Coreia) para ajudar a impulsionar as atividades do primeiro centro da Obra nesta terra. Daejeon é uma das cidades da Coreia em que se nota uma forte tradição cristã. Desta região, veio o primeiro sacerdote coreano, Santo André Kim Dae Gon, um dos primeiros mártires do século XIX.
Comigo vieram quatro outras mulheres, do Brasil, Filipinas, Argentina e Austrália. Duas delas, por serem de família coreana, são uma grande ajuda para as outras, porque nos ajudam a conhecer as tradições e a cultura de um país em que nunca havíamos estado.
Graças a Deus, não tivemos de começar do zero o trabalho apostólico, pois desde 1988 uma pessoa da Obra viajava regularmente à Coreia, para começar a difundir a mensagem de santificação da vida ordinária.
APRENDER COREANO ... COM AS VIZINHAS DE CASA
Quase todas nos dedicamos inteiramente ao estudo da língua coreana, pois temos a esperança de logo podermos falá-la e, assim, conhecer, compartilhar e compreender as esperanças, preocupações, interesses e alegrias das pessoas que vamos conhecendo.
A acolhida foi muito boa. Diante de qualquer necessidade, há sempre alguém disposto a nos dar uma mão: para encontrar uma livraria, um dentista, um lugar para comprar alimento ou outros artigos a preços acessíveis...
Tenho de agradecer especialmente a atenção e dedicação das minhas vizinhas que, entre outros favores, na semana passada vieram todos os dias para conversar comigo em coreano. Com a ajuda de tantas pessoas, eu mesma me impressiono ao ver que, em apenas cinco meses, posso ler e entender o que antes não era capaz nem de soletrar.
Além disso, estou aprendendo muitas coisas: a comer “kimchi” com pauzinhos, a cumprimentar uma pessoa com uma reverência, a por a mesa segundo o costume coreano, a descobrir qual a melhor saída das oito possíveis no metrô... Uma autêntica aventura!
A Coreia nos recebeu com a maior nevasca dos últimos 100 anos: para algumas de nós foi a primeira vez que vimos neve. Aprendemos a desentupir a máquina de lavar quando se congelam as tubulações e rimos quando vimos, depois de um tempo de molho, uma blusa congelada, digna de uma obra de arte.
A SOLUÇÃO PARA UM QUEBRA-CABEÇAS
Sobre o espírito do Opus Dei, de oferecer o próprio trabalho a Deus e fazê-lo por amor a Ele, também algumas mulheres começam a apreciá-lo. Por exemplo, uma professora de canto clássico nos disse que, antes mesmo de ter informações sobre a Obra, havia pensado que cantar e ensinar o canto a seus alunos tinha de ser um caminho para Deus. Ela tinha entendido o Opus Dei antes de conhecê-lo.
Conversei num dia desses, no ônibus que me leva à Universidade, com uma estudante de literatura inglesa. Ao explicar-lhe que uma hora de estudo bem aproveitada é, como São Josemaria ensinou, uma hora de oração, se lhe abriram os olhos e repetia: "Chincha, Chincha?" (Que significa "é mesmo, de verdade!").
Antes de vir à Coreia, passamos em Hong Kong. Ali conheci uma das três primeiras mulheres que foram às Filipinas levar a mensagem da Obra. Entre outras coisas, disse-nos: "Você vai ver que Deus faz tudo". E assim está sendo!
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29 de julho de 2010

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