
Aqui, os alcoólatras são a alma
Cerca de mil e duzentas pessoas passaram pelo programa de reabilitação do alcoolismo da Policlínica El Salto, com sede em Santiago (Chile) e inspirada nos ensinamentos de São Josemaria.
16 de outubro de 2008
Rolando Vergara, paciente em reabilitação, e Juanita Arteaga
O programa que lidera a Policlínica El Salto está formado por uma equipe multidisciplinar composta por uma assistente social, uma enfermeira e um psiquiatra, que conseguiram reabilitar muitos pacientes, melhorando sua qualidade de vida e a de seus familiares. Trataram cerca de mil e duzentas pessoas nesses dezesseis anos de vida. Graças a esse apoio, muitos já levam mais de uma década de abstinência e não poucos seguem a luta para vencer a tentação diária.
Sem preconceitos
Maria José Ureta, diretora
Nenhum paciente vem obrigado, inclusive aqueles que são pressionados a inscrever-se no programa têm a liberdade de faltar na próxima sessão. O alcoolismo não é o único peso que carregam. Muitos chegam em péssimo estado físico, com danos orgânicos e sofrem dificuldades como a falta de contatos sociais, poucas oportunidades de trabalho e não poder ter acesso a outros meios de ajuda dentro da rede de saúde. Por isso, dá-se atenção médica primária de forma gratuita, assim como medicamentos. A assistente social, por sua vez, encarrega-se de determinar a necessidade de alimentos – muitos estão desempregados – e os distribuem àqueles que foram constantes em seu tratamento. Muitos dos pacientes chegam já em fase terminal de vida e a eles – comenta Juanita-damos condições para morrer com dignidade. “Procuramos fazer o possível para que não terminem seus dias na rua”.
O melhor dos amigos
Juan Iturrate: “Devolveram minha dignidade.”
Juan trabalha como vendedor ambulante em feiras e estádios de Santiago, mas sua vida foi marcada, desde os treze anos, pelo estigma do alcoolismo. Hoje, tem sessenta anos, está separado e perdeu o carinho e o respeito de seus três filhos. “Fui atendido, pelo meu problema, em muitos outros lugares, mas sempre me trataram como se eu fosse um chacal. E quando pisei nesta Policlínica me dei conta que isto era um luxo”. A respeito do que mais o encantou, Juan assinala: “Primeiro, o atendimento. Devolveram-me a dignidade como pessoa e, além disso, ensinaram-me que esta enfermidade é incurável, portanto, uma luta para toda a vida. Mas, com a atenção e o carinho que recebo, aprendi a viver essa promessa com Deus: “Ajuda-te que eu te ajudarei”.
O rosto de Jesus em cada paciente
“Os pacientes portadores de alcoolismo são a alma da Policlínica porque com eles vivemos cem por cento a caridade”, afirma Maria José Ureta, diretora do El Salto. “São pessoas marginalizadas não só pela sociedade e instituições, como também por suas próprias famílias. Aqui, nós os acolhemos, não necessariamente para tirá-los completamente de seu vício: nós os recebemos com carinho, buscando devolver-lhes a dignidade perdida. São pacientes onde é muito fácil ver o rosto de Jesus”.
Paulina Chamy, a mais antiga voluntária
Esta é a nota principal que, a juízo de Paulina, atrai aqueles que chegam. “São cativados pela seriedade e pelo afeto. Os doutores são de cinema. Ficam uma hora, tranqüilamente, com cada paciente, são verdadeiros apóstolos de sua profissão. Realmente, sinto que aqui se nota a presença de Deus”.
O doutor William Jadresin – que depois de terminar seu curso de especialização em psiquiatria em El Salto, optou em ficar trabalhando aqui – acrescenta que “a existência de um espaço físico agradável, a continuidade dos integrantes da equipe de alcoolismo, a falta de pressões no desempenho em relação ao número de pacientes atendidos e a gratuidade da atenção são situações de exceção que não se encontram em outros lugares”.
Rolando Vergara, guarda de segurança, sentiu-se especialmente conquistado por El Salto, precisamente pela “atenção e pelo ambiente”, destacados por Paulina e William. Rolando luta desde a sua adolescência contra seu alcoolismo e somente decidiu tratar-se quando caiu do sexto andar de uma construção, onde trabalhava. Há três anos que não bebe nenhuma gota de álcool. Todas às vezes quando volta de seu trabalho e se sente aflito, vai para El Salto. “Chego de repente, aqui tiro todos os problemas de cima de mim e volto para casa super aliviado”.
Como assinala Juanita Arteaga, “é preciso dar assistência às pessoas e ver Jesus Cristo nelas. A norma de trabalho de El Salto é fazer o que Cristo teria feito com esses enfermos se tivessem passado a seu lado”.
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29 de julho de 2010

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