
Tempo para os outros em Salta e Chaco
Mais de 70 jovens investiram seu tempo de férias em dois acampamentos de trabalho social que se desenvolveram em El Bordo (Salta) e na Ilha do Cerrito (Chaco), zonas muito necessitadas do interior da Argentina.
07 de maio de 2008
Em tempo de colheita
Mulheres enrolando folhas de tabaco em El Bordo, Salta.
Assim, as crianças permanecem, a maior parte do dia sozinhas ou acompanham os pais no trabalho. Tendo em conta esta realidade, desde o início dos acampamentos em El Bordo, há cinco anos, uma idéia fundamental foi a de trabalhar no fortalecimento familiar e colaborar na erradicação do trabalho infantil. Para isso, em volta de uma feira de venda de roupas foram dadas palestras sobre família para as mães, sobre afetividade, para as adolescentes e organizaram-se jogos para os rapazes.
As mulheres assistiam às palestras com os filhos.
De acordo com as pessoas do lugar, já faz parte da paisagem dessa época do ano ver a praça repleta de crianças a brincar, as longas filas de mães, umas esperando para entrar na feira e outras participando nas palestras. “Não imaginam o bem que fazem cada vez que vêm para cá”, foi o testemunho de uma senhora do povoado. “É para nós uma oportunidade de falarmos com alguém, de nos sentirmos ouvidas, de recebermos um conselho”.
Cada um dá o que recebe
Um dos objetivos dos acampamentos de trabalho social é dar às universitárias a possibilidade de “devolver” à sociedade, já nesta etapa, parte do que receberam. No Chaco, o objetivo foi largamente ultrapassado.
Aula de higiene da boca e dentes na Ilha do Cerrito.
Ano após ano, as participantes do acampamento na Ilha do Cerrito encontram-se com uma comunidade carente, não só no aspecto material, mas em iniciativas de formação e de crescimento humano. Graças ao contato que se estabeleceu com algumas docentes do lugar, projetou-se para o próximo ano, um curso de orientação vocacional, para ampliar as expectativas dos jovens do lugar.
Nessa oportunidade, a variedade de palestras foi ampla e permitiu às universitárias um convívio muito intenso com as pessoas do bairro. Os temas das palestras foram: gravidez, aleitamento e nutrição nos primeiros anos de vida, valores nutricionais e higiene da boca e dos dentes. Como nos outros anos, as palestras também foram transmitidas pela rádio local.
“Quero ser como elas”
“Por ouvir histórias cheias de sofrimento, era um dos nossos objetivos, apresentar-lhes uma visão transcendente da vida que os ajudasse a superar e alterar, na medida das suas possibilidades, tudo o que fosse contra a sua dignidade de filhos de Deus”, escreveu uma das participantes no acampamento em Salta.
As palestras para mães e adolescentes foram também transmitidas pela rádio local.
Com esta meta diária, não é de surpreender que, se no princípio “éramos nós quem os visitávamos oferecendo-lhes a possibilidade de estar perto de Deus através dos Sacramentos, depois foram eles que nos procuravam pedindo-nos que regressemos para o ano”, escreveu outra das participantes.
Surpreendeu-nos a reação de uma jovem que, ao passar pela frente da Igreja da Paróquia de El Bordo e ao ver algumas moças do acampamento à saída da Missa conversando animadamente com as pessoas do lugar, disse à mãe: “Quero ser igual à elas” e pediu para ser batizada.
“Levo muita coisa deste acampamento”, escreveu uma das participantes em Chaco. “A alegria de transmitir Deus e de desfrutar dessa simplicidade que nos transmitiam as pessoas do lugar, fazia-nos pensar que o pouco era tudo”.
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29 de julho de 2010

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